Integrantes do Subcomitê das Bacias dos ribeirões do Onça e Arrudas reclamaram, na manhã desta terça-feira (4), que a Vale tem omitido informações. As entidades denunciaram que a mineradora não anunciou, com antecedência, a possível contaminação do Ribeirão do Onça em caso de rompimento da barragem Forquilha I, em Ouro Preto. 

O manancial é afluente do Rio das Velhas, responsável pelo abastecimento de grande parte da população de BH e de municípios da região metropolitana. Segundo estudo apresentado pela empresa, o Onça seria atingido nos bairros Beija-Flor, na região Nordeste de BH, e Maria Tereza, na Norte. O aumento no volume da água ainda resultaria na inundação de 248 casas. A mineradora informou que esses bairros estão na chamada Zona de Segurança Secundária (ZSS) do Plano de Ação de Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM). 

E como a capital fica a 120 quilômetros da barragem Forquilha I, o rejeito levaria 11h24 para atingir a comunidade de Beija-Flor. O barramento em Ouro Preto foi elevado ao nível 3, que significa risco iminente de rompimento, em 28 de março. Entretanto, segundo os subcomitês, as informações só foram repassadas à sociedade civil duas semanas atrás, quando a Defesa Civil de BH realizou simulado nos dois bairros para treinar a população em como agir caso a estrutura da Vale se rompa em Ouro Preto.

“Estamos falando de morte da biodiversidade e fomos os últimos a saber. Infelizmente, vai acontecer com o Onça o que aconteceu com o rio Paraopeba, o rio Doce”, explicou Eric Machado, coordenador do subcomitê da bacia do Ribeirão do Onça.

Ambientalista do subcomitê da Bacia do Ribeirão Arrudas, Jeanine Oliveira classificou a situação como catastrófica. "Estamos reféns de uma série de estragos. Se estoura alguma barragem e contamina o Rio das Velhas a situação é a pior possível", relata.

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Jeanine demonstrou preocupação com contaminação do Ribeirão Onça e Rio das Velhas

Transparência

Integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Barragens na Câmara Municipal, a vereadora Bella Gonçalves endossou o discurso de falta de transparência e preocupação ambiental. A parlamentar ainda reforçou que, além do Onça, o rompimento da barragem Forquilha I pode afetar o Rio das Velhas, impactando no abastecimento de água da capital mineira e região metropolitana.

“A perda de um rio é inestimável e há um desencontro de informações sobre a estabilidade das barragens administradas pela Vale. Em Forquilha I, por exemplo, o rompimento vai afetar outras barragens e o abastecimento de água em BH”, comentou Gonçalves. A reportagem procurou a Vale, que não se pronunciou até a publicação desta matéria.

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"A perda de um rio é inestimável",lamentou a vereadora Bella Gonçalves