Corpo de mulher trans encontrado com marcas de violência é liberado do IML após três dias em BH

Marina Proton
mproton@hojeemdia.com.br
01/02/2021 às 14:45.
Atualizado em 05/12/2021 às 04:04
 (Reprodução/Redes Sociais )

(Reprodução/Redes Sociais )

O corpo de Michele Almeida, de 46 anos, uma mulher trans, foi encontrado na última sexta-feira (29) com marcas de violência, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo informações repassadas pela Polícia Militar (PM), a vítima estava seminua, próximo a um matagal, às margens da avenida Tereza Cristina. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil para apuração das circunstâncias e motivação do crime.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local e constatou o óbito. Após perícia, foi relatado que a vítima tinha lesões na região do pescoço e das costas, com perfurações nos locais causadas possivelmente por uma faca. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte, onde permaneceu aguardando liberação até a tarde desta segunda-feira (1º).

A demora foi criticada pela vereadora Duda Salabert, que divulgou o caso nas redes sociais. “Mataram a facadas a Michele, minha colega e aluna. A facada rasgou todo o pescoço dela. Liguei para o irmão dela e me deparei com a transfobia: ele me disse que o IML está burocratizando a liberação, pois, segundo o IML, ‘é um homem com documento de mulher, então tem que fazer outros processos’”, disse.

Michele estava desaparecida desde quinta-feira (28). Ainda segundo a vereadora, a mulher trabalhava há mais de 20 anos na prostituição. “A expectativa de vida de uma travesti no Brasil é 35 anos. Ela superou essa estatística, mas infelizmente entrou em outras: 77% dos assassinatos contra travestis ocorrerem com requintes de crueldade;71% dos assassinatos de travestis ocorrem em espaços públicos”, afirmou Duda, pelo Twitter.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o corpo da vítima deu entrada no Instituto Médico Legal (IML) na sexta-feira, sem identificação e esclareceu que, após a necropsia e o reconhecimento pelos familiares, a única pendencia para a liberação do corpo seria a apresentação de um documento original e legível.

“Os familiares foram orientados no primeiro momento que procuraram o IML. Nesta manhã, eles foram novamente contactados e informaram que comparecerão ao local com a documentação solicitada permitindo, assim, a liberação do corpo”, diz a nota.

A corporação disse, ainda, que procura “promover a liberação de corpos para os familiares com a maior agilidade possível e se solidariza com os parentes da vítima. Todavia, é necessário seguir os trâmites administrativos legalmente impostos evitando problemas com os procedimentos cartoriais e funerários”.

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