Um dia após a PM descartar que o cabo envolvido no tiroteio em frente a uma boate no bairro Itapoã, na Pampulha, era funcionário da casa noturna, a Polícia Civil informou nova versão. Ontem, o delegado Rogério de Melo Franco, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que está à frente do caso, afirmou que o militar estava de férias e prestava serviços à empresa de segurança do estabelecimento.

O crime aconteceu na madrugada da última segunda-feira e terminou com um morto e seis feridos. O gerente da boate foi ouvido pelos investigadores do DHPP. Segundo a corporação, ele disse desconhecer que o policial trabalhava no local, e sustentou que a vigilância durante os eventos é de responsabilidade de uma firma terceirizada.

“Essa é uma prática proibida”, explicou o delegado. Apesar disso, ele elogiou a ação do militar na ocorrência. “Diferente do cidadão comum, que pode ou não interferir, ele tem obrigação de interferir. Neste caso, especificamente, fez em defesa própria e de terceiros”, afirmou Rogério Franco.

O chefe da Sala de Imprensa da Polícia Militar, major Flávio Santiago, informou que a Corregedoria da PM vai investigar o possível vínculo empregatício. No entanto, segundo ele, um comunicado oficial por parte da Polícia Civil ainda precisa ser feito.

Hipóteses
Os investigadores ainda tentam entender o que motivou o tiroteio. Antes de retornar à boate e disparar contra um segurança e outras pessoas que estavam na porta, Pedro Henrique Vitor Silva, de 20 anos, havia sido expulso por uma briga no interior do estabelecimento.

A causa da confusão ainda é incerta, mas pode estar ligada a uma antiga desavença entre o militar e o atirador. “A boate era um local que ele (Pedro Henrique) já frequentava e vamos verificar a assiduidade disso também”, disse o chefe do DHPP.

A Polícia Civil não deu mais detalhes sobre as cápsulas de uma terceira arma encontradas na casa noturna. Os projéteis podem indicar a existência de mais um atirador durante a confusão.

Liberados
Também na segunda-feira, um adolescente de 16 anos foi detido e dois homens, de 26 e 27, presos enquanto buscavam uma moto que seria usada pelo atirador para voltar à boate. “Já estamos com as gravações daquela noite. Vamos verificar se os demais suspeitos estavam no local antes e na hora do crime”, acrescentou o delegado. Ontem, os três foram liberados após serem ouvidos pelo Ministério Público.

Dois seis feridos no tiroteio, quatro seguem internados. Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Risoleta Tolentino Neves, um motoboy de 29 anos que comemorava aniversário na noite do crime é o único com estado de saúde gravíssimo. Os outros estão estáveis.

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