corte de mais de R$ 600 milhões no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações pode ameaçar a construção do Centro Nacional de Vacinas em Belo Horizonte. A informação foi repassada pelo ministro Marcos Pontes nesta quarta-feira (13), durante sessão virtual na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. 

“Com relação às questões sobre os impactos da retirada desse valor, sim, os R$ 50 milhões do Centro Nacional de Vacinas estavam previstos dentro desse (corte). Aliás, hoje tenho uma reunião para aprovação do plano de investimento de série de coisas que estavam previstas para utilização desses recursos, inclusive o centro”, disse. 

O projeto, que teria investimento total de R$ 80 milhões, estava previsto para começar em janeiro de 2022 e ficaria localizado onde hoje existe o Centro de Tecnologias de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Além da verba da União, o centro também conta com R$ 30 milhões do governo de Minas para construção e importação de equipamentos laboratoriais, sendo R$ 12 milhões disponibilizados pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e R$ 18 milhões pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

“Eu fui pego de surpresa, falei até com o presidente sobre isso e ele também foi pego de surpresa, vamos dizer assim, com isso. Eu pedi ajuda para recuperação desses recursos e ele prometeu que vai ajudar”, afirmou o ministro sobre o corte no orçamento da pasta.  

Em nota, o governo de Minas informou que o investimento de R$ 30 milhões destinados ao Centro Nacional de Vacina pelo Estado está garantido. A reportagem também procurou a UFMG e aguarda um retorno. 

O centro

Segundo previsto anteriormente, o centro de vacinas seria uma associação sem fins lucrativos com ambiente multidisciplinar, diverso e de inovação, comparado ao da Universidade de Oxford, que desenvolveu a vacina AstraZeneca. O projeto ampliará a área do CTVacinas com a construção de dois anexos e aquisição de equipamentos importados. 

Atualmente, o centro da UFMG já tem projeto da LeishTec, vacina para a leishmaniose visceral canina e da SpiNTec, produto contra a Covid-19 com promessa de produção com 100% de insumos nacionais e que servirá de reforço para o combate à doença.

Ele terá estrutura para que as pesquisas sejam 100% seguras, sem risco algum de vazamento e contaminação, respeitando protocolos nacionais e internacionais, além da possibilidade de atender o mercado privado.

A intenção é que o projeto adquira autonomia e independência ao longo de três anos, para que funcione como uma organização de direito civil, se mantendo com aporte financeiro privado.

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