Exageros e descumprimento das medidas preventivas contra a Covid-19 por parte dos belo-horizontinos têm trazido preocupação. Nos últimos dias, principalmente após a intensificação da flexibilização, a doença acelerou na cidade e os índices de monitoramento dão sinal de crescimento. Mesmo que por enquanto o fechamento da cidade esteja descartado, o risco existe. 

Até ontem, a capital registrou 39.467 casos confirmados do novo coronavírus. Um aumento de quase 12% em comparação com os números de 4 de setembro, quando foi ampliada a autorização para mais atividades comerciais.

O sinal de alerta começou a acender com o crescimento da taxa de transmissão do vírus, que passou de 0,99, na última sexta-feira, para 1,03 ontem e alcançando o nível amarelo. A situação começa a ficar mais crítica se atingir 1,2.

Integrante do Comitê de Combate à Covid-19 em BH, o infectologista Carlos Starling admite que o aumento da transmissão do coronavírus entre a população era esperado, mas mesmo assim é preocupante. “Quanto mais interação entre as pessoas, mais infectados”, observa.

O problema, diz o médico, é que uma parcela dos moradores está “exagerando” e descumprindo as medidas recomendadas para o controle da doença. “Estão confundindo flexibilização com banalização. Se banalizou e infectou, com certeza a cidade corre o risco de fechar”.

O especialista ressaltou que, para evitar o recuo, continuam valendo as medidas de segurança sanitária: uso de máscara, distanciamento social e só sair de casa se necessário.

Leitos
Isolado, o índice de transmissão do novo coronavírus não decidirá o recuo na flexibilização, garante a prefeitura. Mas será a taxa de ocupação dos leitos de UTI determinante para possíveis mudanças, inclusive com funcionamento apenas dos serviços essenciais. 

Foi justamente o que aconteceu em 26 de junho. Na data, a PBH ordenou pela segunda vez a suspensão de todas as atividades que não se enquadrassem como essencial, após a lotação da terapia intensiva exclusivas para Covid-19 chegar a 86%. 

Até ontem, conforme boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), a taxa de ocupação da terapia intensiva estava em 46,2% e a dos leitos de enfermaria exclusivos para pacientes com Covid-19, em 37,8%. Abaixo de 50%, o índice é considerado aceitável.

Quando a ocupação está entre 51% e 70%, alerta. Acima de 71% é o nível mais crítico. Nessa fase, é preciso reduzir a quantidade de pessoas em circulação na cidade, para “segurar” o número de doentes e evitar um colapso na rede hospitalar, deixando pacientes desassistidos.

“É preciso avaliar todos os indicadores. Se essa aceleração do vírus não comprometer a capacidade instalada (de atendimento), tudo bem. Mas se os hospitais começarem a encher novamente, volta a fechar”, explicou Carlos Starling.

Ainda conforme o infectologista, caso dois indicadores atinjam o nível amarelo, a metrópole entra em sinal de alerta máximo.
Em nota, a PBH informou que, no momento, o fato de a taxa de transmissão estar em 1,03 não impactará no processo de retomada econômica. “A preocupação está no cenário em que esse indicador permaneça durante muito tempo acima de 1,00, ou mesmo num valor crítico, acima de 1,20, o que provocaria um crescimento no número de casos mais graves e, consequentemente, pressão sobre a infraestrutura de saúde”, esclareceu.
Especialistas alertam para risco do descuido nas medidas contra a Covid-19

 

ALÉM DISSO:

Enquanto os números da Covid-19 seguem sendo acompanhados, Belo Horizonte se prepara para a volta dos clubes de lazer e da Feira da Avenida Afonso Pena, no hipercentro da cidade, no fim de semana.

Os protocolos para o funcionamento desses espaços foram divulgados no último sábado. Caso eles não se adequem às normas sanitárias, estarão impedidos de retomar o funcionamento.

Os clubes poderão receber frequentadores a partir de sábado. Na piscina deverá ser mantido o distanciamento entre as pessoas. A sauna está proibida.
Já a Feira Hippie teve a extensão ampliada da avenida Carandaí até a Praça 7. O setor de alimentação ficará na rua Espírito Santo. 

Insatisfeitos com o novo layout, planejado para, conforme a PBH, manter a distância entre as barracas, expositores protestaram ontem em frente à prefeitura.