Março termina como o pior momento da pandemia da Covid-19 no Brasil. Em Belo Horizonte, a situação não é diferente. Com o aumento do número de casos graves da doença, as mortes também cresceram. Diante de tantas tragédias, os enterros nos cemitérios municipais dispararam, com o recorde de 1.358 sepultamentos em 31 dias.

O cenário é de alerta máximo. A Fundação de Parques e Zoobotânica, responsável pelos necrópoles públicas, descarta um colapso funerário neste momento. Porém, sem a certeza de quando os números relacionados irão se estabilizar, há uma preocupação em caso de nova elevação na mortalidade. 

“Não temos como afirmar por quanto tempo os recursos, que são naturalmente finitos, serão suficientes para atendimento nos mesmos padrões praticados”, afirmou a FPMZ.

Durante a pandemia, o número de sepultamentos subiu e ultrapassou os de julho 2017, quando 983 pessoas foram veladas na capital. No mesmo mês do ano passado, 1.280 velórios de vítimas do coronavírus e de outras enfermidades foram registrados na metrópole, marca superada em março de 2021, que teve média diária de 43,81 sepultamentos.

Em abril do ano passado, o prefeito Alexandre Kalil afirmou que a cidade abriria 1.900 covas como forma de precaução. A decisão foi considerada polêmica e provocou reações. 

Dois meses depois, o mandatário mostrou arrependimento. “Cova aberta não estraga, não dá defeito, não apodrece. Vamos chegar a 1,9 mil mortes um dia em Belo Horizonte, e que esse dia esteja muito longe”, disse, na época.

De acordo com Fundação de Parques, desde abril do ano passado, foram disponibilizadas 9.690 gavetas – aproximadamente 3.200 jazigos – nos cemitérios da Paz, Saudade e Consolação. No Bonfim, onde 100% dos sepulcros são perpétuos, não houve ampliação. Também foi preciso aumentar o contingente de coveiros, que passou de 35 para 50 profissionais.

Por nota, o órgão ressalta que a rede funerária também é composta por empresas e necrópoles particulares, além dos sistemas internos dos hospitais. “Trata-se de uma cadeia de serviços, na qual o cemitério é apenas a ponta”. 

Devido à circulação das novas cepas e o não cumprimento do distanciamento social, o número de casos de Covid-19 cresceu em BH. Conforme dados do boletim da prefeitura, mais de 30 mil moradores testaram positivo para o vírus em março.

Pandemia em BH
Além disso, a necessidade por internação aumentou consideravelmente, colapsando os hospitais. No último dia 22, a taxa de ocupação das terapias intensivas destinadas ao tratamento da Covid era de 107,3%. 

Na tentativa de frear a doença, a prefeitura decretou diversas mudanças, restringindo o funcionamento do comércio. Desde o dia 17 de março, a cidade está na Onda Roxa do Minas Consciente, com toque de recolher de 20h às 5h. A medida valeria, inicialmente, por 15 dias, mas foi prorrogada até o dia 11 de abril.

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