O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) denuncia que unidades de pronto atendimento (UPAs) estão lotadas por causa da Covid-19, com a capacidade de atendimento esgotada e falta de profissionais na área da saúde. Segundo o presidente da entidade, Israel Arimar de Moura, as informações dos trabalhadores são de um "cenário caótico e à beira do colapso".

De acordo com o Sindibel, a UPA Pampulha, que sofre com falta de profissionais de enfermagem, na última segunda-feira (15), funcionava apenas com oito enfermeiros dos 14 necessários para as escalas de atendimento. "Isto é resultado de baixos salários e exaustão dos profissionais".

Como a falta desses funcionários, a sala de emergência teria ficado lotada, com cinco pacientes num espaço onde há apenas quatro leitos. "Dos internados, três estavam entubados, o que representa uma demora maior para a liberação de novas vagas".

Na UPA Leste, conforme o sindicato, a situação não era diferente "Sete pacientes estavam na sala de emergência, demandando cuidados".

Segundo dados repassados pelos trabalhadores ao Sindibel também mostram que, além da lotação, o número de pacientes intubados nas UPAs tem crescido. "Às 20h30 desta segunda, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tinha 20 pessoas nesta situação".

O Sindibel acredita que apenas uma ação urgente pode frear o momento turbulento da Saúde em BH. "Os números mostram que o cenário caótico e a superlotação são problemas que estão acometendo todas as regiões da cidade e que o sistema de saúde está à beira de um colapso generalizado. O RT, índice que mede a taxa de transmissão da Covid-19 em Belo Horizonte atingiu nesta segunda-feira o seu maior nível: 1,28".

Belo Horizonte registrou um novo recorde na taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com Covid-19 nesta terça-feira (16). O índice chegou a 94,1%. 

A ocupação de leitos de enfermaria está em 77,5%. Já o RT, que mede o número médio de transmissões por infectado, ficou em 1,27 nesta terça-feira. Isso significa que cada grupo de 100 pessoas transmite a doença para outras 127.

O que diz a PBH

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que Belo Horizonte, assim como todo o país, se encontra em uma situação grave em relação a pandemia da Covid-19 com os três indicadores assistenciais e epidemiológicos da doença - ocupações de leitos de UTI e enfermaria Covid; e índice de transmissão - no nível máximo de alerta, em vermelho. E por esse motivo a prefeitura anunciou novas medidas de restrições na cidade, com o objetivo de conter o avanço da pandemia e manter os serviços de saúde em capacidade de assistência à população.

Ainda segundo o comunicado, as UPAs da capital têm apresentado aumento na procura por atendimento nas unidades e "A secretaria tem empreendido esforços para manter as equipes completas, mas tem enfrentado dificuldades para encontrar profissionais para contratação.Os pacientes atendidos na unidade que necessitam internação são cadastrados na Central de Internação e encaminhados a um leito de hospital".

Sobre a falta de profissionais, a PBH disse que avalia diariamente o cenário assistencial para definir a necessidade de abertura de novos serviços específicos de atendimento aos casos suspeitos de Covid-19. "Atualmente, os dois hospitais de gestão municipal - Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro (HMDCC) e Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HMOB) - estão com processo seletivo aberto, para contratação de profissionais.

No HMDCC tem 48 horas semanais de vaga em aberto para médico intensivista para os leitos existentes. A remuneração para este cargo varia de R$ 4.491,07 (12h semanais) a R$ 8.982,14 (24h semanais). Já no HMOB atualmente está aberto, com inscrições até 23/03, o processo seletivo simplificado (edital 004/2021), com validade de um ano, para a contratação de médicos de diferentes categorias, com remuneração variada de acordo com a carga horária e setor de atuação".