Mil duzentos e vinte e quatro. Esse é o número de mineiros de 30 a 39 anos que morreram por complicações da Covid-19, desde 1° de janeiro até ontem. Em 2020, o total de óbitos desta faixa etária foi 279. A comparação mostra um crescimento de 340% nas ocorrências, ou quatro vezes mais. 

Além do aumento das tragédias familiares, o perfil dos internados nas terapias intensivas mudou, tendo dentre a maioria dos casos graves justamente esse público jovem. Vacinação dos idosos, avanço da pandemia e novas cepas são os principais motivos para a mudança no perfil. 

“Temos observado que a permanência nos leitos de UTI continua alta porque os que estão adoecendo são mais jovens. Aquelas mais velhas já foram vacinadas, a média de idade caiu”, afirmou o secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto.

Segundo o chefe da pasta, essas pessoas tendem a ser mais saudáveis e têm a doença por mais tempo, pois a cepa em maior circulação na capital é a P1, de Manaus. “Isso faz com que fiquem mais tempo internadas”, completou.

Mortes de bebês por Covid também aumentaram muito no 1° semestre em Minas. Foram 21 óbitos de crianças com menos de 1 ano – até o fim do ano passado eram nove. 

Em BH, 73% das vagas em Unidades de Terapia Intensiva exclusivas estão em utilização. Conforme o secretário, após o período de internação, muita gente ainda precisa de hos-pitalização, necessitando de transferência para as UTIs convencionais. 

“Isso explica também a alta taxa de ocupação de UTI não-Covid. A pessoa migra e isso ocupa um leito em uma porcentagem muito grande de casos”.

Mais letal

O levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) ainda mostra que a enfermidade tem feito mais vítimas sem doenças crônicas, reduzindo a proporção de mortes de pessoas com comorbidades. Ano passado, 74% dos casos que evoluíram para óbito eram de pacientes com outras doenças, como diabetes.

Os dados da SES confirmam que o atual momento é de alerta máximo, pois o coronavírus mata mais, independentemente da idade ou condição de saúde. A letalidade está em 2,6%, ante 2,2% no fim de dezembro.