Um mural de fotos e uma faixa com nomes de vítimas que ainda não tiveram os corpos encontrados em meio aos rejeitos do rompimento da barragem 1, da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, foi pendurada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) por familiares dos desaparecidos nesta quinta-feira (16). As imagens foram afixadas no plenário em que engenheiros da Vale prestam depoimento sobre o ocorrido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da casa.

A funcionária da Vale Cristina Malheiros, da gerência de geotecnia operacional na mineradora, foi a primeira a responder às perguntas feitas pelos deputados integrantes da CPI. Ela é uma das responsáveis por inspecionar e monitorar a contenção B1, que ruiu em janeiro deste ano. Assim como os demais depoentes da empresa, Cristina reforça que não sabia do risco de rompimento da barragem. 

“Todos os dias eu estava na mina de Córrego do Feijão, eu almoçava no restaurante eram meus colegas de trabalho todos os dias. Era meu local de trabalho. Nunca vi nenhum sinal nenhum indício de que pudesse mostrar alguma iminência de ruptura [...] Se tivesse conhecimento de que eu não poderia estar lá ou de que outras pessoas não poderiam estar lá eu não deixaria isso acontecer”, afirmou. 

O engenheiro civil Artur Bastos Ribeiro, que exercia função semelhante à Cristina, conversa com os deputados no momento. Ele almoçava no refeitório com os colegas de trabalho quando a barragem se rompeu e conseguiu se salvar ao subir em uma caminhonete durante a fuga. Os dois negam saber que haveria a necessidade de se acionar o plano de ação de emergência da B1. 

Os depoentes desta quinta são todos da área de geotecnia operacional e foram convocados após a última sessão, em que funcionários da geotecnia corporativa alegaram que a responsabilidade pela segurança da barragem estava a cargo dos engenheiros que participam da CPI hoje. 

No entanto, os dois grupos dizem não ter conhecimento dos riscos de rompimento da contenção. Artur teve acesso ao monitoramento dos piezômetros  – estruturas utilizadas para medir a pressão dos fluidos represados na barragem do Feijão –, que indicou alteração nos dados de 11 instrumentos, do total de 46. Ele reforça a versão de Hélio Lopes da Cerqueira, engenheiro que depôs na última semana e alegou que a mudança decorria de um erro operacional. 

“O problema era referente a alimentação dos dados na planilha. Era um problema de preenchimento da planilha, porque ela mostrava dados que eram impossíveis de ocorrer”, afirmou Artur Ribeiro. O último a falar será Renzo Albieri, gerente do setor de geotecnia operacional. Os familiares das vítimas que realizam o protesto na CPI ainda não conversaram com a reportagem.