A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), apresentou, nesta quinta-feira (21), o plano de ação para integrantes da força-tarefa, que também apura responsabilidades pelo rompimento da barragem da mineradora Vale, ocorrido em 25 de janeiro.

Os parlamentares pretendem trabalhar em conjunto com a força-tarefa designada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pretendem visitar as comunidades impactadas pelo desastre, entre elas a aldeia Pataxó, próxima a São Joaquim das Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A primeira reunião está marcada para a próxima segunda-feira (25), com representantes das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Na agenda também estão programados encontros com membros do Ministério Público do Trabalho (MPT), auditores, delegados, testemunhas e representantes sindicais.

Segundo o relator da CPI, deputado André Quintão (PT), os trabalhos foram divididos em três partes. O primeiro, de coleta de dados e informações, em seguida a comissão vai ouvir testemunhas e, por último, haverá adoção de providências e de reparação.

“A intenção é de fato contribuir com o trabalho da força-tarefa, não permitir a impunidade e garantir medidas de reparação, com objetividade, transparência e clareza”, explica Quintão.

Conforme os integrantes da comissão, a ideia é acelerar os trabalhos de investigação para evitar que a tragédia caia no esquecimento. “Acompanhei o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, em Mariana, e constatei que quanto mais tempo decorre, mais a mineradora estabelece o controle do processo, reduzindo o impacto do crime na opinião pública. Nossa tarefa na CPI é romper esse padrão. Se não conseguirmos isso, teremos falhado em nossa missão. A CPI é a resposta mais robusta que o Poder Legislativo pode dar”, ressalta a deputada Beatriz Cerqueira (PT).

O número de mortos confirmados em Brumadinho já chega a 210 e, de acordo com a Defesa Civil, outras 96 pessoas continuam desaparecidas.

No dia 25 de janeiro a barragem da mina Córrego do Feijão se rompeu, matando centenas de pessoas e contaminando o Rio Paraopeba, um dos afluentes do Rio São Francisco. Os rejeitos devastaram a área administrativa da mineradora, incluindo o refeitório, onde muitos trabalhadores almoçavam na hora do rompimento.

*Com informações da ALMG

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