Nada de cachorro ou gato. Para muita gente, bicho de estimação tem que ser, no mínimo, diferente, para satisfazer a preferência exótica. Em Belo Horizonte, esse novo hobby tem ganhado cada dia mais adeptos, principalmente os que se encantam com répteis e aves silvestres.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), em Minas já existem 64.645 criadores amadores registrados legalmente.

Só para se ter uma ideia da expansão desse mercado, no Vale Verde Parque Ecológico, em Betim, na Grande BH, 1.400 pessoas, de todos os cantos do país, aguardam em uma longa lista de espera pelo animal mais cobiçado: a jiboia.

A espécie, reproduzida em cativeiro, pode vir da mata atlântica, do cerrado, da caatinga ou da Amazônia. A produção no criatório, que é o maior do país na venda do réptil, não consegue atender à demanda de seus clientes. Atualmente, 300 jiboias e 900 aves de todas as espécies, nascidas recentemente, já estão todas encomendadas.

Criadas em terrários próprios para esse tipo de animal, as jiboias custam entre R$ 1.300 e R$ 3 mil. “Há uma demanda muito grande para a aquisição legal desses répteis. Há situações em que não conseguimos atender à demanda”, explica o coordenador biólogo e de fauna do grupo Vale Verde, Tiago Lima.

Com alimentação à base de camundongos, os répteis possuem manejo simples e de baixo custo, atingindo cerca de R$100 ao mês. “Os répteis se alimentam em média de 15 em 15 dias. As visitas ao veterinário são anuais e um aquário de vidro é suficiente para acomodá-las”, explicou o biólogo.

Dono de quatro teiús, um filhote de jacaré do papo amarelo e uma jiboia, o estudante George Myller Esteves de Souza, 25 anos, cria os bichos dentro de um apartamento. “São animais de fácil adaptação e cativantes pela autonomia e força”, disse.

A paixão pelos répteis começou ainda criança para a autônoma Hellen de Souza, de 31 anos. “Tinha medo, mas muita curiosidade e paixão”, contou. Há seis meses, ela se dedica ao filhote de jiboia Eduard. “Virou a atração da família e do bairro”, brinca.

Já a engenheira Cláudia de Assis de Castro, de 40 anos, optou por uma cacatua e um casal de araras. A beleza e cores das penas foram determinantes para a escolha. “A imponência e ao mesmo tempo a fragilidade me chamaram a atenção”, conta.

Antes de adquiri-los, Cláudia Castro readaptou sua casa no bairro São Luis, na Pampulha. “Construí um viveiro para que eles pudessem ficar livres e mais à vontade”, explicou.
 
Mini-porcos chegam a custar até R$ 1.500
 
Outro animal que caiu no gosto do público são os mini-porcos. Conhecidos como minipigs, os suínos são considerados animais dóceis, carinhosos e de fácil adaptação. Eles podem chegar a até 40 centímetros e pesam no máximo 25 quilos, muito inferior ao peso de um porco confinado, que ultrapassa os 400 quilos.

Há cinco anos, o empresário Antônio Carlos Oliveira descobriu nos minipigs uma chance de aumentar a sua renda. Com uma mini-fazenda em Alfenas, no Sul de Minas, o criador resolveu investir na nova moda entre os pets. “Comecei a ter interesse por esses animais quando percebi que várias pessoas ficaram fascinadas ao verem artistas internacionais tendo esses porquinhos como bichos de estimação”, contou.

Com clientes espalhados em São Paulo, Rio de Janeiro e em Minas, o empresário possui atualmente 20 animais, todos já encomendados. Um minipig custa hoje entre R$ 1 mil a R$ 1.500. “O rendimento é significativo, se comparado com os gastos que temos com os pequenos suínos”, conta o empresário.

Pelo site, o interessado pode tirar dúvidas sobre os hábitos, cuidados e alimentação do porquinho. “São animais que não requerem cuidados especiais, mas sim de carinho e atenção como qualquer outro, além dos custos serem baixos”, explica.

Engana-se quem pensa que os pequeninos suínos são animais sujos e com odor. São necessários três banhos ao dia. O local em que vivem deve ser sempre limpo. Roupinhas, acessórios e coleira estilizada para passeios também já são muito utilizados.

A veterinária Mariana Oliveira Santos, de 33 anos, se rendeu aos encantos dos mini-porcos. A paixão começou depois que conheceu os bichinhos de perto. “Desde pequena sempre fui encantada com porcos. Me despertou a atenção depois que conheci os minipigs de duas amigas. Foi amor à primeira vista. Desde então, conhecei a estudar a respeito e logo adquiri os porquinhos”, conta.

Bernardo e Bianca, como são chamados, viraram a atração da casa e do bairro Jardim América, região Oeste da capital. “A família toda é apaixonada por eles e por onde passam despertam a curiosidade das pessoas”, conta.

Os pequeninos estão sempre perto de dois cachorros e um gato. “Todos vivem em harmonia. Eles (minipigs) adoram carinho e são bastante companheiros”, contou.

O estilo dos bichamos pode ser acompanhado pelas redes sociais. “Fico admirada de ver como as pessoas gostam de acompanhar as trocas de roupa e o dia a dia de Bernardo e Bianca. É muito legal”, disse Mariana.

Venda só de criatório autorizado
 

Mas para ter um animal silvestre é preciso atenção. A venda, que é fiscalizada pelo Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e pelo Ibama, somente é permitida de criatórios autorizados. Desde 2002, a liberação de permissão para criatórios comerciais está suspensa em
todo o país.

“Esse tipo de animal silvestre somente pode ser adquirido com nota fiscal e registro de identificação, caso contrário é crime ambiental”, alerta a veterinária e analista ambiental do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama, Cecília Barreto. A multa para quem for pego com animal contrabandeado é de R$ 5mil.