Imagine-se aprendendo cálculos e equações pelo computador ou estudando bioquímica e fisiologia por meio de uma plataforma virtual. A ideia pode parecer utópica, mas já é realidade em muitas escolas do Brasil. Com o aval do Ministério da Educação (MEC), faculdades apostam em cursos altamente especializados, como engenharia civil ou educação física, na modalidade de ensino a distância (EAD).

Em Minas, a Uniube, de Uberaba, no Triângulo, já oferece graduações em engenharia civil e elétrica sem que os alunos tenham que comparecer à escola de segunda a sexta-feira.

Em BH, a novidade chegou este ano à faculdade Anhanguera, nas áreas de engenharia de produção, controle e automação, elétrica, mecânica e civil.

O currículo é igual ao do curso presencial. E, apesar da modalidade de ensino ainda ser vista com suspeita, a qualidade é a mesma, garante Ernani Elias de Souza, diretor da unidade da escola na avenida Antônio Carlos.

“Há uma parte teórica e conceitual que pode ser muito bem trabalhada com um texto ou vídeo-aula”, afirma.

Além disso, os alunos fazem exercícios on-line que apontam se há necessidade de reforço do conteúdo. “Se for preciso, novos artigos e vídeos serão repassados a eles”.

QUASE MEIO A MEIO

Mas se a tecnologia supre a ausência física de um professor, o mesmo não pode ser dito sobre as aulas práticas. Por isso, 40% do curso ainda é presencial, segundo Ernani.

“Os alunos precisam ir à faculdade pelo menos duas vezes na semana e utilizam os laboratórios para compreender a parte prática do curso”.

Em pouco tempo, porém, a realidade pode mudar. Com programas avançados e promissores, há quem acredite que até as aulas práticas serão substituídas por novas tecnologias.

Como Marco Túlio de Freitas, da universidade Fumec. “As pessoas precisam conhecer as ferramentas de hoje. Nós já oferecemos, por exemplo, educação física nessa modalidade. Temos plataformas que conseguem demonstrar com perfeição todo o movimento que o atleta faz”, cita.

“Essa é a tendência mundial. Sabemos disso avaliando a situação de outros países. Tenho certeza de que, no futuro, os alunos poderão estudar até mesmo medicina a distância”, afirma.

Confea vai avaliar qualidade da formação

Mesmo que os cursos sejam aprovados pelo MEC, ainda não há reconhecimento do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) para o engenheiro formado “a distância”.

“Só agora chegaram os primeiros pedidos de alunos que concluíram o curso na EAD. Mas, até o momento, não houve procedimento para liberação dos registros para esses profissionais. O Confea ainda debate o assunto”, diz Enid Drumond, engenheira civil e coordenadora do Colégio Estadual de Instituições de Ensino do Crea-MG.

A cautela é necessária devido à responsabilidade que um profissional de engenharia carrega, justifica.

“Embora a transmissão do conhecimento pela tecnologia já seja comprovada, ainda não se sabe como isso se dá nas engenharias. E se a qualidade da formação não estiver garantida, não podemos permitir que a pessoa exerça a profissão, trazendo grandes riscos e consequências à sociedade”, afirma.

FOCO

Mesmo com o crescimento dessa modalidade de ensino, o curso a distância não é indicado para qualquer um.  Segundo Marco Túlio de Freitas, da Fumec, o aluno que optar pelo EAD precisa ter disciplina e concentração maior do que os que têm aula presencial. “Se não houver maturidade, o estudante não conseguirá concluir o curso e o investimento se perderá”, adverte.

Investimento com segurança

Antes de escolher um curso a distância, verifique se a instituição é credenciada pelo MEC, em www.emec.mec.gov.br

Visite o polo de apoio onde você participará das atividades presenciais obrigatórias. Veja se o ambiente é apropriado, se há biblioteca e laboratório

Verifique a idoneidade e a reputação da instituição responsável, bem como dos coordenadores e professores do curso.

Solicite informações sobre a estrutura de apoio oferecida aos alunos (suporte técnico, apoio pedagógico, orientação acadêmica, etc).