A possibilidade de aprovação da lei que irá regulamentar a terceirização para qualquer atividade, pública ou privada, e o ajuste fiscal feito pelo governo federal continuarão provocando manifestações por todo o país. A expectativa é a de que os atos sejam mantidos até que o projeto, que tramita no Legislativo, saia da pauta ou seja derrubado.

A promessa é da Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsável por mobilizar milhares de manifestantes ontem, no Dia Nacional da Paralisação. “Será feita uma avaliação nacional sobre as mobilizações que ocorreram hoje (ontem) no país para novos atos e manifestações”, afirmou a presidente da CUT em Minas, Beatriz Cerqueira.

Para ela, o saldo da sexta-feira foi positivo por causa da adesão de várias categorias e mostra a unificação dos trabalhadores. Além disso, Beatriz destaca que a grande vantagem dos movimentos foi colocar o debate a respeito da lei em pauta. “Não aceitaremos, de forma alguma, medidas que precarizem as conquistas dos trabalhadores”.

Problemas

De um lado, a adesão dos manifestantes e, de outro, os prejuízos trazidos àqueles que buscaram serviços de diversos setores, ontem.

“Só fiquei sabendo aqui, junto aos demais passageiros, que não havia transporte disponível”, contou a estudante de Direito Solange Magalhães, de 35 anos, que estava prestes a perder uma prova na faculdade.

Como Solange, milhares de belo-horizontinos tiveram que encontrar alternativas para chegar ao trabalho, à escola, a consultas médicas, devido ao movimento grevista.

Adesão

Em apoio à causa, os metroviários de BH paralisaram as atividades, contrariando decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que determinava o funcionamento em escala mínima de 50%.

Nas estações Barreiro, Diamante, Pampulha e Vilarinho, as manifestações impediram a entrada e saída de ônibus nos terminais. “Do jeito que está aqui é complicado. Não tem como chegar ao trabalho”, desabafou o eletricista Leandro de Souza, de 32 anos.

Já Simone Gomes, de 42 anos, perdeu um exame admissional de trabalho. “Devo ter perdido o emprego, antes mesmo de começar”, disse, chateada.
A Cemig atuou com parte dos funcionários durante a manhã. À tarde, a participação aumentou. “Somos contra o projeto de lei. Na empresa, são 80% dos colaboradores terceirizados”, comentou o diretor do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), Joubert Fernando de Paula.

Outros serviços

Copasa e Correios também participaram do movimento. No caso dos Correios, os funcionários agregaram outras reivindicações. “Aumentaram em 25% o custo do plano de saúde. Houve rombo no fundo de pensão e estamos pagando por isso”, informou o secretário do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Gilson Cunha.

Algumas agências bancárias sequer abriram as portas. Na rede municipal de ensino, das 189 escolas, 16% paralisaram totalmente e 68% funcionaram de forma parcial.

Ato na USP termina em confronto com a polícia e pelo menos 11 ficam feridos

Na capital paulista, o protesto encabeçado por estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) terminou com manifestantes feridos e um preso. O movimento foi coordenado pelo Sindicato dos Trabalhadores da universidade (Sintusp), vinculado à Central Sindical e Popular (CPS-Conlutas).

O embate começou depois que os manifestantes tentaram bloquear o acesso à rodovia Raposo Tavares. Segundo o Sintusp, a Polícia Militar reagiu usando bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo. Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas, entre elas um estudante de 27 anos, que foi detido.

Representantes do sindicato defenderam que o movimento era pacífico até que a polícia reagisse. Um comunicado emitido pela entidade informou que entre os feridos estava uma mulher. Ela teria sido jogada no chão, pisoteada e recebido socos no rosto. A Secretaria de Estado de Segurança Pública disse, em nota, que afastará do cargo um policial flagrado atirando da viatura.

Protestos afetam transporte público e fecham rodovias em várias capitais

Em Recife, 11 dirigentes sindicais foram detidos durante manifestação no Porto de Suape, na região metropolitana da cidade. Além do complexo portuário, as paralisações atingiram os ônibus e metrôs da capital pernambucana.

Outras capitais também tiveram o transporte público afetado em função das paralisações. Em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), apesar de uma decisão judicial que proibia a realização de piquetes, funcionários do metrô e de ônibus interromperam o expediente. Na Bahia, os manifestantes fecharam parte da BR-324, na altura de Feira de Santana. E, em Cruz das Almas, um trecho da BR-101 foi totalmente interditado logo pela manhã.
Em Vitória (Espírito Santo), os protestos ocorreram em frente ao campus da Universidade Federal do estado.

Rede estadual paulista decide manter greve que já dura mais de 70 dias

Professores da rede estadual de ensino de São Paulo, em greve há 75 dias, decidiram, ontem, manter a paralisação. A decisão foi tomada em assembleia na avenida Paulista, no vão-livre do Masp (Museu de Artes de São Paulo). A maior rede de ensino do país – com 4 milhões de alunos – se aproxima da mais longa greve da sua história, que durou 80 dias, em 1989.