Referência em serviços de alta complexidade em Minas, o Hospital das Clínicas (HC), da UFMG, fechou 30 leitos. Déficit de funcionários explica o cenário na instituição que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O impacto na rede pública ainda não foi medido. Por mês, 50 mil consultas e procedimentos são realizados na principal unidade universitária do Estado.

A desativação acontece em 12 leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), 12 de clínica médica e seis cirúrgicos, segundo o Conselho Municipal de Saúde de BH. Antes do fechamento, eram 504 vagas. Agora, são 474. Ao todo, faltam 305 servidores. O número é decorrente de aposentadorias, exonerações e demissões.

“É um prejuízo muito grande aos usuários. O hospital recebe pacientes de todos os municípios de Minas, com todos os tipos de doenças, principalmente casos graves”, disse a presidente do Conselho do Hospital das Clínicas, Marta Auxiliadora Reis. 

Funcionária do HC há 30 anos, ela diz que o fechamento dos leitos não é o único problema. “Desde o início do ano enfrentamos cortes de verba que afetaram todo o funcionamento”, acrescenta. 

Sem previsão

Atualmente, a unidade tem 2.870 profissionais em atividade. Aprovados em concurso público, eles fazem parte do quadro permanente do hospital, que tem 3.175 vagas autorizadas pelo governo federal, segundo nota enviada pela assessoria do HC. Sem a previsão de concurso público, “o HC-UFMG não pode realizar a reposição”.

Conforme a instituição, o déficit não tem relação com o contingenciamento de 30% do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), anunciado pelo Ministério da Educação. 

Para o secretário-geral do Conselho Municipal de Saúde, Bruno Pedralva, a situação preocupa. “O atendimento ofertado lá não é encontrado em outras unidades”, lamentou. “É muito crítico. O fechamento vai impactar pessoas com câncer, com doenças cardíacas e transplantados”.

Em agosto, líderes dos conselhos planejam ir a Brasília. Um abraço simbólico também está sendo programado no HC no dia 21 do mesmo mês, data em que se completam 91 anos de fundação. 

O Ministério da Saúde disse que apenas a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares poderia falar sobre o assunto. O Ministério da Economia e a Secretaria de Estado de Saúde não se pronunciaram até o fechamento desta edição. 

Já a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que os repasses ao hospital “estão rigorosamente em dia”. Segundo o órgão, o fechamento dos leitos ainda não impactou a demanda de internações na capital. Ainda de acordo com a SMSA, a situação está sendo acompanhada na “tentativa de solucionar o problema”.

Concurso público

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável por administrar o HC, solicitou ao Ministério da Economia a abertura de um concurso público para contratar novos servidores. Na última sexta-feira, foram liberadas vagas estratégicas para a unidade convocar candidatos aprovados em um concurso de 2018. O número não foi divulgado.

A Ebserh solicitou aos 40 hospitais universitários federais gerenciados a realização de um estudo. O objetivo do levantamento é identificar a quantidade de profissionais necessária para que os espaços possam “continuar formando com excelência profissionais da área de saúde e prestando um atendimento de qualidade no âmbito do SUS”.