Belo Horizonte nem sabia, mas antes mesmo de ser batizada, em dezembro de 1897, um grande presente já esperava por ela. Inaugurado, naquele mesmo ano, para ser o mais belo parque urbano da América Latina, o Parque Municipal brindava a futura capital do estado com a melhor das surpresas. Maior área verde da cidade, o espaço, que celebra hoje 120 anos, guarda não só as memórias da metrópole centenária. Preserva também a essência de local democrático e diversificado por onde passam, todos os meses, cerca de meio milhão de pessoas.

É gente de todo tipo. De toda cidade, inclusive. Caso de Ana Clécia Hermano, de 19 anos, e de Marcos Felipe Alcântara, de 21, de Ribeirão das Neves, na Grande BH, que incluíram o aniversariante do dia no roteiro da lua de mel. Casados há duas semanas, eles reservaram o último sábado para contemplar o cartão-postal dos belo-horizontinos. 

Desistiram do piquenique, mas não deixaram de apreciar a paisagem, que, passados tantos anos, ainda encanta. “O gramado está bastante sujo. A gente desanima um pouco de sentar. Mas aqui é tudo muito lindo. Dá para fazer até um book profissional”, comentou Ana Clécia, enquanto admirava os barquinhos na lagoa. 

Antônio Barbosa, de 55 anos, ou simplesmente Barbosa ou Cachoeira, como foi apelidado, é outro que bate ponto no parque, faça chuva ou faça sol. De terça-feira a domingo, ele está lá. Já até perdeu as contas de quantos anos faz o trajeto, a pé, de casa, no bairro Cachoeirinha (origem do apelido) até o Centro. Agora, por um motivo ainda mais especial: cuidar de uma família de patinhos, que se estabeleceu por lá.

“Não deixo ninguém pegar neles e, antes de ir embora, guardo todos para ninguém roubar nem gato comer. Trato como se fossem meus”, revela, sem tirar os olhos de mamãe pata e os 13 filhotinhos.
 

Aniversário de 120 anos do Parque Municipal

Espaço de diversidades, área verde recebe todo tipo de gente e de vários cantos do país


Má impressão

A gaúcha Paula Bellon, de 29 anos, aproveitou a visita ao pai, Ricardo, que mora em Contagem, Região Metropolitana de BH, para levar o pequeno Nicolas à área verde. Enquanto o garotinho ensaiava os primeiros passos, ela observava o local. Infelizmente, a impressão que vai levar para Blumenau, em Santa Catarina, onde vive, não será nada boa. 

“Ficamos um pouco intimidados com a quantidade de moradores de rua e a sujeira deixada por eles. Confesso que a impressão não foi das melhores. Não pretendo voltar. O velhinho (o parque) merecia mais atenção”, opinou.

Eletricista de segunda a sexta-feira, Wanderson da Silva Ferreira, de 25 anos, aproveita o fim de semana para unir o útil agradável. Enquanto vende cerveja e tropeiro no parque, se diverte com os filhos Nicolas Rafael, de 1 ano e 3 meses, e Ayla Beatriz, de 4. Sem se fixar nos contrastes em volta, elege o espaço como o ideal para uma tarde descontraída com as crianças. 

Proteção do espaço em instância estadual ocorreu em 1975; desde então novas construções são proibidas

Veja o vídeo:


Confira a programação de aniversário:

Hoje é aniversário do Parque Municipal; confira a programação

Reforço de equipes de limpeza e jardinagem são ações previstas

Quem percorre os 182 mil m² de área verde protegida não encontra só beleza e o que contemplar. Excesso de lixo e presença constante de moradores de rua são as principais queixas de quem passa pelo Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. Presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), Sérgio Augusto Domingues reconhece os problemas e a necessidade de um esforço maior. 

Segundo ele, integram o escopo de melhorias previstas o reforço das equipes de limpeza e jardinagem e a reforma completa dos banheiros do equipamento público. Sobre a presença dos moradores de rua, ele afirma que as ações cabem à Secretaria de Políticas Sociais. 

“Um parque de 120 anos, sem dúvida, necessita de ações de conservação muito profundas em todos os campos. A questão da limpeza é realmente algo que não para nunca. A necessidade de atividades de manutenção é algo fora do comum para qualquer lugar”, admite.

De acordo com Domingues, em 2016, houve uma redução de 20% no quadro de funcionários terceirizados de limpeza e jardinagem. A reposição, no entanto, segundo ele já autorizada pela administração municipal, deve ocorrer até o fim deste ano. Mesmo prazo previsto para a conclusão das reformas dos banheiros e do Mercado das Flores, na avenida Afonso Pena. 

Política abrangente

Sobre os moradores de rua, questão mencionada com frequência por visitantes e comerciantes locais, o presidente do órgão é enfático. “A Secretaria de Políticas Sociais está desenvolvendo um trabalho abrangente com foco maior no Hipercentro. Importante lembrar que eles não dormem no parque, mas nos abrigos da prefeitura e que os resultados não virão no curto prazo”, afirma. 

Na avaliação do presidente da FPMZB, o saldo dos 120 anos é positivo. “O Parque Municipal é referência de lazer e provedor de saúde em BH. É um espaço democrático, onde a cidade guarda sua memória”, diz. 

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