Minas se prepara para a época dos incêndios florestais, que começa em junho. Depois de um ano com redução das ocorrências, por conta das chuvas acima do volume esperado, o enfraquecimento do fenômeno El Niño pode acarretar menos água e mais clima seco, favorecendo as queimadas. Em 2018, o Corpo de Bombeiros atendeu a 10.810 chamados do tipo em território mineiro.

Para que os órgãos responsáveis já se articulem na tentativa de evitar um cenário devastador, a União publicou na última semana portaria decretando emergência ambiental em várias partes do país. O documento tem caráter informativo para que os estados adotem medidas de combate e prevenção ao fogo.

Deste mês até novembro, nove regiões em Minas entram no bolo do decreto: Campo das Vertentes, Central, Grande BH, Noroeste, Norte, Oeste, Sul/Sudoeste, Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Vale do Mucuri. De maio a dezembro, é a vez de Jequitinhonha, Vale do Rio Doce e Zona da Mata acenderem o alerta.

Mestre em direito ambiental e conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Cristiana Nepomuceno acredita que a medida é válida, apesar do caráter exclusivamente educativo. “A portaria não impõe obrigatoriedade aos órgãos. Mas é um ato administrativo, que regulamenta e alerta para uma tomada de decisões antecipando ao problema”, frisa.

Ações

É o que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) garante fazer. “Sempre estamos preparados para o pior cenário”, ressalta Rodrigo Bueno Belo, gerente de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais do Instituto Estadual de Florestas (IEF), órgão vinculado à pasta. 

Para este período de risco de queimadas, serão contratados 278 brigadistas para 40 unidades de conservação sob a tutela da Semad. A distribuição dos profissionais vai seguir critérios técnicos, como proximidade a áreas urbanas, estrutura e perspectivas de propagação das chamas. 

A secretaria afirma que também há investimentos em ferramentas como enxada, foice, pá e equipamentos como motobombas. 

Segundo Rodrigo Bueno, as unidades mais vulneráveis aos focos são os parques estaduais Serra do Cabral, em Buenópolis, e do Rola-Moça e Serra Verde, ambos na Grande BH. “O incêndio só vai acontecer de forma espontânea se tivermos ocorrência de raios. O que percebemos são pessoas ateando fogo de forma dolosa e culposa”, diz. 

O Hoje em Dia solicitou à Semad o valor gasto no combate e prevenção de incêndios florestais em 2017 e 2018 e o previsto para este ano, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.