O delator do processo conhecido como Chacina de Unaí, Hugo Alves Pimenta, também um dos réus na ação, foi condenado pelo Tribunal do Júri Federal, na noite de quarta-feira (11), a 47 anos, 3 meses e 27 dias de reclusão. A pena de Pimenta foi reduzida devido a delação premiada.

O empresário, condenado por intermediar as mortes de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, foi o último a sentar no banco dos réus neste caso. O crime ocorreu no início de 2004 quando os quatro funcionários do MT investigavam denúncia de trabalho escravo em fazendas da região.

O empresário, que era muito próximo dos Antério Mânica, fez um acordo de delação com a Justiça em 2007 e foi arrolado como testemunha de acusação. Com isso, ganhou o direito à liberdade provisória e também à redução em dois terços da pena.

Hugo Pimenta teve o julgamento adiado, após um pedido da defesa, que argumentou que o réu não poderia ser julgado no mesmo júri em que também participaria como testemunha.

Os irmãos Antério e Norberto Mânica foram condenados como mandantes da chacina a 100 anos de cadeia, cada um. Por serem réus primários, Antério, ex-prefeito de Unaí, e o fazendeiro Norberto vão recorrer em liberdade. Os pistoleiros que executaram os fiscais foram condenados a penas que, somadas, chegam a mais de 220 anos de prisão.

Para entender

Em 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira caíram em uma emboscada na área rural de Unaí, no Norte de Minas, a 160 Km de Brasília.

Foram mortos com tiros à queima-roupa no rosto e na cabeça. Desde então, os familiares deles lutavam por Justiça e contra os sucessivos recursos apresentados pelos advogados defesa. Em um dos embates, o MPF recorreu para que o julgamento fosse realizado em BH, e não em Unaí.