Recurso simples e eficaz para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, as máscaras podem se transformar em uma armadilha devido à falta de educação de muitas pessoas. O escudo contra a Covid-19 tem sido descartado cada vez mais de forma irregular em Belo Horizonte. Jogado na rua, o Equipamento de Proteção Individual (EPI) aumenta o risco de contágio.

O perigo é maior para garis e demais trabalhadores da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). O órgão aponta que a atitude tem sido frequente, principalmente após a obrigatoriedade do uso na cidade. Desavisados que pegam o EPI na rua, mesmo que para jogar no lixo, também ficam expostos à doença.
Nesta semana, o Hoje em Dia percorreu diferentes regiões da cidade e flagrou diversas máscaras usadas jogadas em vias públicas. As cenas de incivilidade urbana foram vistas na movimentada avenida Vilarinho, em Venda Nova, e no estacionamento do Mercado Central, no Centro, frequentado por milhares de pessoas.

Ainda na região Centro-Sul, o descarte irregular foi confirmado em pontos da Savassi e na avenida Agulhas Negras, no bairro Mangabeiras, onde há uma pista de caminhada. Na orla da Lagoa da Pampulha, um dos principais cartões-postais de BH, é grande “palco” da atitude irresponsável de alguns frequentadores. 

Inevitável
Chefe do Departamento de Serviços de Limpeza Urbana da SLU, Erika Santos Resende afirma que a situação era inevitável. A gestora reforçou o potencial de contaminação. “Há muito mais chance de ter a presença do vírus do que em outros locais. Independentemente de haver perigo maior ou menor, se estiver bem-acondicionado e, preferencialmente, disposto nos dias de coleta, o risco diminui”. 

Erika Santos garante que os profissionais da limpeza foram treinados nesse aspecto. Para o trabalho, utilizam máscaras, luvas e botas. A remoção precisa ser feita adequadamente.

Integrante do Comitê de Enfrentamento à Epidemia de Covid-19 em Belo Horizonte, o infectologista Unaí Tupinambás pondera que a chance maior de transmissão é por via aérea, mas que isso não elimina o risco oferecido pelo descarte inadequado.

Além do perigo, chama a atenção para a necessidade da boa convivência em sociedade. “É falta de educação e desleixo jogar lixo nas calçadas e nas ruas. Procure uma lixeira mais perto para jogar a sua máscara”, adverte.

O médico, que é professor da UFMG, faz questão de reforçar a importância de usar as máscaras ou protetores faciais. “É preciso evitar tocar na máscara e no rosto e, sempre que possível, fazer a higienização das mãos ao tocar na máscara”.

Além Disso

DESINFECÇÃO
A Chefe do Departamento de Serviços de Limpeza Erika Santos disse, ainda, que a SLU reforçou a desinfecção e lavação de vias públicas, conforme mapeamento da Secretaria Municipal de Saúde. Locais de maior incidência do vírus, como áreas externas de unidades de saúde e estações de ônibus, são contemplados. Os trabalhos são feitos de domingo a domingo.

QUANTIDADE
De acordo com Erika Santos, num cenário geral, cerca de 2,8 mil toneladas de resíduos são recolhidas diariamente em Belo Horizonte. Dessas, 2,1 mil toneladas são os chamados sólidos urbanos, coletados nas casas dos moradores e na varrição, por exemplo. O restante refere-se aos resíduos da construção civil, os coletados nos córregos e nas Unidades de Recolhimento de Pequenos Volumes (URPVs).

Ponto a ponto
Você sabe como deve ser feito o descarte correto das máscaras de proteção?

Sempre coloque a máscara usada em um saco plástico resistente e bem fechado

Se estiver na rua, sem um saco plástico, guarde na bolsa ou mochila para depois descartá-la

Jamais coloque o Equipamento de Proteção Individual (EPI) no lixo reciclável

Junto aos recicláveis, ela irá contaminar os matérias que serão utilizados pelos catadores 

Após o descarte das máscaras, as mãos devem ser higienizadas com álcool gel ou sabão
 

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