Ultrapassar o limite de passageiros nos ônibus pode potencializar a disseminação do coronavírus. Ontem, no 1º dia de reabertura do comércio em Belo Horizonte, a lotação excedida foi umas das principais reclamações de quem precisou ir ao hipercentro. Os abusos, no entanto, não se resumem à nova flexibilização. Neste ano, só até março, foram anotadas 8.033 multas por descumprimento das medidas sanitárias dentro dos coletivos. 

Na ponta do lápis, são 89 autuações por dia. Na comparação com as infrações de 2020, a média de irregularidades a cada 24 horas deu salto. De 17 de março a dezembro de 2020 foram 17.471 punições. Cada uma deveria custar R$ 568,89 às empresas. Porém, nada foi pago. Conforme a PBH, as autuações “ainda estão em processo de julgamento”. 

Com a pandemia, foi publicado um decreto que suspende por tempo indeterminado, os prazos administrativos do município. “A Junta Administrativa de Recursos e Infrações (JARI) teve o trabalho presencial suspenso e um sistema alternativo de avaliações remotas foi criado, mas os processos sofreram atrasos”, informou, por nota, a BHTrans.

Em meio ao imbróglio, quem precisa do transporte público para ir ao trabalho sofre e se arrisca. A movimentação nas estações do Move foi intensa no hipercentro. A consultora financeira Suellen Fernanda de Souza, de 30 anos, lamentou. 

O medo dela é levar a doença para dentro de casa. “É muita gente. Na Estação Venda Nova fica cheio e não existe distanciamento social. Aqui (na Carijós) fica lotado à noite”.

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Quem também reclamou foi a doméstica Natália Nunes, de 40. Ela garante que houve aumento no número de passageiros no 1º dia de flexibilização. “Na estação Pampulha estava mais cheio que o normal hoje (ontem)”. Insegura com a situação da Covid-19, ela cobra que mais coletivos circulem para atender pela cidade.

ESTUDO EM ANDAMENTO

Semana passada, o prefeito Alexandre Kalil disse que o transporte público não é o foco principal de contaminação da Covid-19 na capital mineira. Segundo ele, um estudo está sendo feito pela administração municipal.

De toda forma, durante a pandemia, os coletivos convencionais só podem circular com até dez passageiros em pé. Nos articulados do Move, o número sobe para 20 e, nos micro-ônibus, cinco usuários. 

Além da lotação, as multas aplicadas pela BHTrans incluem a falta de álcool em gel nos veículos. Essa falha, no entanto, não foi constatada pela reportagem do Hoje em Diadurante o giro pelo hipercentro. 

Ações

Com a reabertura do comércio não essencial, a BHTrans a criou oito linh[/TEXTO]as de ônibus que vão ligar os bairros diretamente ao Centro, sem passar pelas estações do Move. De acordo com a empresa que gerencia o transporte e o trânsito na metrópole, serão 34 viagens diretas.

Em um comunicado, o Sindicato das Empresas de Transporte (Setra-BH) informou que entende a aplicação das multas como ilegal e recorre na Justiça. Segundo os representantes das concessionárias, houve prejuízo no faturamento desde 2020. “O pagamento das multas está condicionado ao reembolso por parte do poder público, dos prejuízos ocasionados na operação do sistema durante a pandemia”. 

No mesmo comunicado, o presidente do Setra, Joel Paschoalin, diz que sabe da necessidade de evitar a aglomeração, mas que não é possível “proibir o embarque de um passageiro em uma estação ou ponto de ônibus na cidade”.

(*) Com informações de Luiz Augusto Barros