Com 69% do público-alvo maior de 18 anos vacinado com a primeira dose contra a Covid-19 em Belo Horizonte, segundo dados da prefeitura, fica mais possível vislumbrar a volta do tão necessário abraço. E é como sinal ou incentivo de bons ventos, "O Abraço" - uma das primeiras e mais queridas obras do Circuito Urbano de Arte (Cura), projeto que faz pinturas em prédios do Centro da capital - também retornará.

Inaugurada em 2017, em edição especial do festival em comemoração ao aniversário de 120 anos de BH, o desenho de Davi Melo Santos, o DMS, sofreu com os impactos do sol, da chuva e da poluição (veja mais abaixo), e foi se desfazendo. A boa nova é que a mesma obra, pintada pelo próprio artista, mas preparada em técnica mais moderna de preservação, será entregue em até duas semanas, em 28 de agosto, na rua dos Tupinambás, 179.

"Estamos lá há um mês trabalhando no reparo das paredes para não acontecer o que ocorreu há quatro anos. Naquela época, estávamos ainda entendendo qual era a melhor forma de restauro, hoje temos uma empresa especializada nisso", contou Janaína da Cruz, curadora e uma das idealizadoras do Cura. Nesta segunda (16), a empena (parte do edifício sem janelas) começou a receber a tinta-base.

Janaína conta que "O Abraço" começou a descascar apenas quatro meses após a entrega. "A arte urbana é efêmera em essência, mas ter tido tanto trabalho para fazer uma peça tão linda, de um artista que é referência internacional, a gente quis dar um jeito nela. Segundo ela, as pessoas têm grande carinho pela pintura. "As pessoas têm ela na memória. E a deterioração mexeu com as pessoas", completou.

Não por acaso. "O Abraço" foi uma das primeiras, e é vista em ângulo privilegiado do já charmoso viaduto de Santa Tereza. Mais do que isso, porém, ela representa um gesto que o belo-horizontino sente falta. "(Essa reforma) vem em uma época em que a pandemia 'descascou' nosso abraço. Essa volta d'O Abraço' é também esperança de podermos nos abraçar de novo", finalizou Janaína.

Deterioração

Em postagem no perfil oficial do Cura, o fotógrafo Fernando Biagioni explicou o processo de deterioração das obras expostas ao tempo. Segundo ele, o trabalho de preparação e pintura nos prédios se aperfeiçoou ao longo dos anos, com a equipe mais consciente sobre o que cada superfície necessita.

"É natural que qualquer tipo de pintura se desgaste com as intempéries: chuva, sol e poluição agridem pouco a pouco o filme da tinta, que vai se calcificando, virando poeira, se desfazendo. A dilatação da película se abre em fissuras, a água entra e a pintura começa a descascar pois ela nem sempre consegue ficar ancorada corretamente na superfície", disse.

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