Localizados em áreas de risco geológico, dez imóveis deverão ser desocupados e demolidos na Vila Bandeirantes, no Conjunto Santa Maria, na região Oeste da capital. As construções estão à beira de um barranco, ao lado do Hospital Luxemburgo. Segundo a Companhia Urbanizadora e de Habitação (Urbel), deslizamentos podem ocorrer no período chuvoso.

Apesar do perigo atestado pela Defesa Civil, as famílias resistem em sair das casas, algumas construídas há mais de 40 anos. Segundo moradores, nunca houve movimentação de solo antes. Eles reclamam do valor das indenizações, em torno de R$ 40 mil.

É o caso do porteiro Divino de Sales Braz, de 42 anos. Para ele, a instalação de um sistema de drenagem, o tratamento da encosta e a construção de um muro de contenção evitariam as remoções.

População

Ao todo, 220 famílias residem na vila. No mês passado, duas delas foram notificadas e deixaram o local. O eletricista José Bernardo Souza lamenta a retirada. “Querer sair, é claro que não quero. Minha vida está toda aqui, a família está adaptada à região”.

Segundo a diretora de Área de Risco da Urbel, Isabel Volponi, a área tem sido monitorada com frequência. Ela lembra que o objetivo da prefeitura tem sido realizar obras de manutenção para corrigir ameaças em áreas de risco, porém, essas intervenções não seriam possíveis na vila.

A Defensoria Pública tenta uma alternativa junto à prefeitura. Ela quer, inclusive, que os valores da indenização sejam reajustados. “Nosso objetivo é que algum acordo possa ser firmado de forma extrajudicial”, afirma a defensora Cryzthiane Linhares.