Nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o Centro de Belo Horizonte será palco de uma manifestação contrária à violência e à opressão de mulheres em todo o Brasil. Manifestantes de diversos movimentos sociais irão se concentrar pela tarde em dois espaços da cidade – Praça da Estação e praça Raul Soares – para depois seguirem até a Praça 7, onde será lido um manifesto.

De acordo com Indira Xavier, coordenadora do Movimento de Mulheres Olga Benário e da Casa Tina Martins, a principal pauta da manifestação é a luta contra a violência. “Nossas vidas valem mais. Organizações internacionais têm alertado para um aumento alarmante dos índices de feminicídio no Brasil. Somente nos dois primeiros meses do ano, 140 mulheres já foram vítimas de feminicídio”, conta Indira.

O protesto também é contra os altos números de mulheres estupradas e violentadas, especialmente no ambiente doméstico. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que mais de 16 milhões de mulheres, cerca de 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência em 2018. Segundo a pesquisa, 536 mulheres são agredidas por hora no país, sendo que 177 sofrem espancamento.

De acordo com Indira, a manifestação também deve levantar pautas políticas, como a Reforma Trabalhista, em vigor desde o ano passado, e a Reforma da Previdência, cujo texto está sendo analisado pelo Congresso Nacional. As manifestantes também devem protestar contra a mineradora Vale, relembrando a tragédia em Brumadinho. De acordo com o Corpo de Bombeiros, 193 pessoas morreram, enquanto outras 115 pessoas permanecem desaparecidas.

Programação

Instrumentistas femininas de diversos blocos de Carnaval da capital mineira – como Sagrada Profana, Bruta Flor e Tapa de Mina – vão participar do protesto, que deve lembrar a morte da vereadora Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. O crime ainda não foi esclarecido pela Polícia Civil fluminense.

Além disso, o dia será marcado pelo lançamento do livro “Guaicurus - A Voz das Putas”, às 16h, no Centro de Referência da Juventude. Realizada pela Associação de Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig) com recursos do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais, a obra apresenta textos de trabalhadoras do sexo de diferentes idades.

"O livro busca ser um holofote para toda arte, literatura e conhecimento que tem sido produzido pelas trabalhadoras da rua Guaicurus. Historicamente, tem muita gente indo pesquisar sobre prostituição, sobre a vida das prostitutas, mas nem todos os projetos reconhecem o conhecimento que elas mesmo produzem. Isso pode ser conferido no livro", afirma Cida Vieira, presidente da Aprosmig. 

Manifestação no Dia Internacional da Mulher
Concentração na Praça da Estação, a partir das 16h, e na praça Raul Soares, a partir das 17h. Encontro  dos movimentos sociais na Praça 7, às 18h30. Após leitura de manifesto, todos devem seguir até a Praça da Estação