Bangladesh, Panamá, Argentina, Nigéria, Índia e Áustria estão entre os países que já teriam registrado problemas graves - contaminação de medicamentos e bebidas que resultaram em mortes - provocados pelo uso indevido do dietilenoglicol, situação que ocorre agora em Minas.

Encontrada em dois lotes da cerveja Belorizontina, da Backer, a substância pode ter causado os óbitos de pelo menos 84 crianças, de dois meses a 7 anos, em 2008, na Nigéria. O país africano ainda investiga outras 300 mortes suspeitas. À época, evidências do produto químico foram achadas em um xarope de paracetamol ingerido pelas vítimas.

Cerca de um ano depois, em 2009, em Bangladesh, no Sul da Ásia, 24 meninos e meminas, de 11 meses a 3 anos, morreram sob a mesma suspeita: intoxicação após contato com o dietilenoglicol encontrado em um xarope.

A Nigéria teve outro episódio envolvendo a mesma substância em 1990, quando 47 crianças foram internadas em um hospital universitário, com sintomas como febre e vômito, que evoluíram para insuficiência renal. Todas perderam a vida. O dietilenoglicol teria sido constatado também em um xarope usados para tratar infecções respiratórias associadas à malária, doença muito frequente na África.

Na América Central, o Panamá é apontado como país atingido por uma complexa rede mundial de distribuição de um medicamento falsificado, que teria provocado pelo menos cem mortes. Mais uma vez, o dietilenoglicol estaria presente na formulação de um remédio.

O solvente inodoro e incolor, de altíssima toxicidade, viria sendo usado por indústrias farmacêuticas chinesas na falsificação do glicerol, substância cujo aspecto é semelhante ao dietilenoglicol, aplicada na indústria de medicamentos, assim como na de alimentos e bebidas.

Há dados também de que a toxina tenha causado óbitos na Argentina, supostamente por adição à fórmula de um medicamento composto, ainda, por própolis. A Índia teria vivido episódio semelhante.

Outro caso emblemático - mas sem confirmações de morte - resultou em prejuízos financeiros incalculáveis na Áustria, a partir de 1985. Vinícolas locais passaram a ser acusadas de acrescentar dietilenoglicol intencionalmente aos estoques de vinhos, com o objetivo de atrair número maior de consumidores e, consequentemente, lucrar mais. Há informações de que substância tóxica seria capaz de dar mais sabor e adocicar a bebida.

O caso foi descoberto na Alemanha. O escândalo se espalhou mundo afora, o que resultou em multas e prisões, em ambos os países europeus. A exportação de vinhos austríacos registrou forte queda