Aprender um novo idioma, conhecer outras culturas e turbinar o currículo são alguns dos motivos apontados por quem escolhe fazer intercâmbio. Mesmo com a crise econômica, o mercado brasileiro de educação internacional cresceu 20% em 2018,saltando de 302 mil para 365 mil o número de estudantes que embarcaram para o exterior em busca de cursos de aperfeiçoamento, conforme pesquisa da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta). A modalidade mais procurada foi a de viagens curtas, de até um mês, realizadas principalmente nos meses de férias acadêmicas, sem prejuízo para as aulas. 

A experiência internacional é mais comum entre jovens de 18 a 21 anos, do sexo feminino, mas também cresce entre idosos, como ressalta a presidente da Belta, Maura Leão, CEO da agência Yázigi Travel. “Hoje, quem nunca teve acesso a um intercâmbio na adolescência ou na vida profissional tem buscado aprender outra língua depois da aposentadoria. Mas há programas que abrangem também famílias e crianças”, diz.

Prática 

A poucos dias de se formar no curso superior de gastronomia das Faculdades Promove, em Belo Horizonte, a estudante Laura Silva de Oliveira, de 21 anos, destaca que o estágio realizado fora do país foi essencial para o aprendizado durante a graduação. Ela ficou três meses em Portugal, trabalhando na cozinha de cinco restaurantes de Lisboa, graças a um convênio oferecido pelo Promove aos alunos. 

“Além de conviver com pessoas de outros países, de toda parte da Europa, a experiência foi super enriquecedora porque aprendi técnicas de culinária específicas e também tive que lidar com costumes profissionais e culturais diferentes dos nossos. Tenho certeza que deixei muitas portas abertas, em termos de oportunidades de trabalho lá. Tenho muita vontade de voltar”, conta. 

A estudante Ruanna Lopes, de 28 anos, se prepara para viver a mesma experiência no fim do ano, com outros sete colegas da graduação. 
“Já sou formada em direito e não tive a chance de fazer intercâmbio antes. Acredito que a viagem será bem útil para me firmar na gastronomia. Estou bem empolgada”, diz ela, que atualmente trabalha como auxiliar jurídica.

Para o coordenador do programa das Faculdades Promove, professor Jackson Cabral, a vivência internacional aflora a criatividade dos alunos. “Voltam cheios de ideias”, diz. 

Estudar fora do país amplia conhecimento e ajuda no amadurecimento dos adolescentes 

O intercâmbio também atrai adolescentes, que cursam parte do ensino médio em colégio estrangeiro. Entre os diferenciais estão crescimento pessoal e aprendizado de disciplinas que não são comuns no Brasil, como culinária, economia e direito. “Não é só um preparo para entrar na universidade, o estudo é voltado para a vida”, diz Marcella Relindes, gerente comercial da Canada Intercambio em BH. 

Antes de comprar o pacote e fazer a mala, a instituição de ensino em que o aluno está matriculado no Brasil deve aceitar o programa de intercâmbio que ele pretende cursar. Em seguida, o estudante elege quatro disciplinas para fazer fora do país, como matemática, ciências, sociologia e história, além de matérias adicionais, como robótica, caso deseje. Marcella destaca ainda que a experiência é ideal para o amadurecimento dos adolescentes. 

Independência

“Muitos até voltam para casa já sabendo o que querem fazer profissionalmente porque tiveram uma experimentação ampla na escola. É um período de conquista de autonomia e independência, pois o ensino aqui tem todo o peso de se passar na faculdade. No intercâmbio, os jovens tiram essa preocupação dos ombros e começam a se aventurar em áreas novas”, diz. 

Aprender a conviver consigo mesmo foi uma das principais lições que a conclusão de parte do ensino médio na Alemanha trouxe para o aluno de engenharia de controle e automação André Werneck, de 21 anos. Aos 16, ele se encantou com a experiência na Europa e, agora, planeja retornar durante a graduação. “Foi um grande acerto. Absorvi muito da cultura alemã, como objetividade e disciplina”.