Conter os desrespeitos cometidos por motoristas também é um desafio para o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A avaliação é do assessor do Denatran, Ailton Brasiliense. Segundo ele, o problema não está nas auto-escolas, mas no exercício da cidadania.

“Quem forma um motorista, na verdade, é a vida. Respeitar uma placa de sinalização é respeitar as pessoas que moram naquela região e quem circula ao redor. Ninguém tem que cumprir o que está determinado para evitar multas, mas para não ferir o outro ou a si mesmo. Acidentes de trânsito são injustificáveis. Nada explica uma morte”, destaca.

O professor Márcio Aguiar, da Universidade Fumec, considera a educação no trânsito um dos maiores desafios ao longo de quase duas décadas do CTB. “A educação eleva a cultura e estabelece a democracia”, diz.

Exemplo negativo

Um acidente grave ocorrido nessa quinta (21) no Centro de Belo Horizonte reforça a análise dos dois especialistas. Duas pessoas morreram e pelo menos 20 ficaram feridas em uma batida envolvendo dois ônibus das linhas Move Metropolitano e 8107 (Concórdia/São Pedro), na avenida dos Andradas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a colisão aconteceu depois que o motorista do Move avançou o sinal e atingiu a lateral do outro coletivo, que descia o viaduto da Floresta.

O ônibus do Move só parou depois de atingir um poste. O trânsito no local precisou ser desviado para a rua Guaicurus e foi liberado cerca de quatro horas depois.

Mudanças

“Apesar de ter sido um passo importante quando foi criado, o Código já precisa de revisões. Acho que os valores das multas são baixos e precisam ser repensados. Tivemos mudanças nesse sentido, recentemente, nos casos de ultrapassagens proibidas, mas isso não resolve outros itens”, aponta Márcio Aguiar. Para ele, a falta de respeito aos pedestres se deve à precariedade da fiscalização.

Em 2015 foram registradas mais de 13 milhões de infrações de trânsito no Brasil. No ano anterior, foram cerca de 8 milhões. Atualmente, a mais cometida é o excesso de velocidade.