Reformular os processos de trabalho, otimizar tarefas e estar atento às novas possibilidades e desafios. Essas são algumas características de profissões que se reinventaram diante das transformações trazidas pela tecnologia. Até mesmo áreas mais tradicionais, como a do direito, podem mesclar formalidade e dinamismo. As mudanças favorecem os atuais estudantes, que já estão mais familiarizados com as ferramentas digitais, avaliam especialistas.

Matriculada no curso de direito, Rosimeire Rodrigues, de 32 anos, busca a formação voltada para a tecnologia. A universitária decidiu seguir esse caminho depois que o marido começou a trabalhar com análise de sistemas. 

A estudante afirma que a jornada tem sido repleta de descobertas. “Quando me formar, quero trabalhar com segurança da informação. Acredito ser uma área muito deficitária, tanto em regulamentação quanto em qualificação. Inclusive, é o objeto do meu trabalho de conclusão de curso”, diz Rosimeire, que iniciou neste semestre o 9º período do bacharelado.

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Essa nova possibilidade na área do direito, inclusive, dispensa os formalismos e jargões técnicos tão comuns no segmento, observa Lenita Melo, de 21 anos, aluna do 5º período da graduação. “As pessoas se importam mais com o conteúdo do que com a forma erudita pela qual você se comunica ou sua vestimenta”.

A jovem é estagiária em um escritório de advocacia em Belo Horizonte, que atende somente startups. Faltando dois anos e meio para a conclusão do curso, ela já sabe o que quer: continuar atuando nesse campo. No estágio Lenita colabora na confecção de contratos, observando eventuais problemas com parcerias e sociedades, por exemplo. “Sem dúvida, essa experiência tem sido fundamental para o meu futuro”, avalia.

Dinamismo

Para o coordenador do curso de direito das Faculdades Promove, Emerson Castro, o segmento precisa de profissionais que tenham sinergia com empreendedorismo e consigam se movimentar para acompanhar os processos de mudanças. “É transitar do inverno para o verão, do mar para o deserto. É um trânsito multidisciplinar e, por isso, é um ambiente ideal para jovens. Eles geralmente são cheios de ideias e dúvidas”, acrescenta.

Para quem cogita direcionar conhecimentos na área voltados para a tecnologia, o docente recomenda foco nos estudos. “É preciso ampliar a base de formação. Minas Gerais é um estado promissor para as startups, por exemplo. Por isso, é preciso se atualizar e entender como a área funciona”, sugere Emerson.

Formação

Segundo o coordenador, no próximo semestre será ofertada uma disciplina na graduação do Promove para despertar o “espírito empreendedor” nos alunos, como forma de prepará-los, ainda mais, para lidar com as novas tendências.

Diretora de Conteúdos e membro da Comissão de Direito para Startups da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Lorena Lage afirma ser importante discutir as nuances do direito e tecnologia em sala de aula.  “É um caminho interessante. Os estudantes, em questão de empreender, devem pensar no potencial das lawtechs (startups especializadas na área jurídica)”, diz.

ENTREVISTA: Luiz Felipe Siqueira

Você observa que o direito nas startups é uma área a ser explorada?
Vivemos a 4ª revolução industrial, impulsionada pela internet. As relações estão mudando exponencialmente e o mundo dos átomos converge com o dos bits a todo momento. Agora, jovens que já nasceram na era digital estão se formando e profissionais se adaptando à nova realidade. O ecossistema das startups de Minas é forte, e atendê-las é um bom nicho de mercado. Os colegas dessa área têm um espírito colaborativo que difere da advocacia tradicional.

Quando você se interessou em estudar o segmento?
Na minha época de estágio, em 1998, saíram os primeiros CDs de jurisprudência. Vi que a tecnologia estava mudando o tradicional mundo do direito, afinal, esse momento poupou o meu tempo e deu mais eficiência às outras atividades. Desde então, comecei a estudar esse ramo. Fiz mestrado com o tema da regulação da internet antes mesmo do anteprojeto do Marco Civil.

Quais são as características necessárias para quem deseja trabalhar nesse campo?
Ser curioso, estar antenado com a tecnologia e o impacto no mercado. Tem que ter embasamento para falar termos da área, ser dinâmico e ágil. O mercado 4.0 é marcado pelo ganho de eficiência, redução de custos, dentro de um ambiente que é, ao mesmo tempo, colaborativo e competitivo.