A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu a investigação sobre o caso de compartilhamento de agulhas, durante teste de glicemia, em uma feira de ciências, realizada na Escola Municipal Arlette Bastos, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Foram indiciadas a professora de Ciências, de 54 anos, a coordenadora pedagógica, de 57 anos, e a diretora da escola, de 54 anos, "conforme disposto no artigo 132 - por expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente -, combinado com artigo 69 do código penal, por concurso material, já que o mesmo crime teria sido cometido mais vezes, envolvendo várias pessoas".

De acordo com a Titular da 4ª Delegacia, delegada Ione Maria Moreira Dias Barbosa, as investigações apontam que a professora tinha o conhecimento do uso de agulhas na feira e, após perícia técnica realizada em filmagens, constatou-se que ela não teria tomado o cuidado de ficar o tempo todo vigiando os alunos.

"Já a coordenadora e a diretora também tinham o dever legal de zelar pela integridade dos alunos, fiscalizando a professora e cobrando dela o acompanhamento direto, constante e efetivo das atividades de manuseio das agulhas e isso não foi realizado de forma contínua", explicou.

Ainda conforme a autoridade policial, se ficar comprovada efetivamente uma lesão, por parte dos envolvidas, a professora, a coordenadora e a diretora podem responder por crimes mais graves.

Desde a denúncia, mais de 20 pessoas foram ouvidas, entre elas, estudantes, mães de alunos, professores, funcionários da escola e moradores do bairro. O inquérito policial será enviado, nesta terça-feira, à Justiça.

O secretário de Comunicação da cidade, Ricardo Miranda, afirmou que, por enquanto, não há nenhuma comprovação de que houve o compartilhamento de agulha. E disse ainda que a prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, abriu também uma sindicância para apurar a responsabilidade. O secretário falou de uma possível câmera que teria gravado a feira e estuda a possibilidade dessas imagens auxiliarem nas apurações do caso.

A diretora, a coordenadora e a professora seguem trabalhando normalmente na escola.

Relembre

A feira de ciência foi realizada no dia 23 de novembro. Uma aluna de 14 anos estava oferecendo o teste de glicemia para falar sobre diabetes em seu trabalho. Porém, diante da suspeita de que ela tinha usado a agulha de forma compartilhada, 84 pessoas tiveram que tomar o coquetel de profilaxia contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), segundo informou o secretário de Comunicação da cidade, Ricardo Miranda, na ocasião. Elas também passaram por testes para Aids (HIV) e hepatites virais. Os resultados deram negativo.

Na época, por meio de uma nota, a Secretaria de Saúde informou que trabalha de forma ininterrupta para prestar assistência às pessoas que participaram do evento.

* Com José Vítor Camilo

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