Diretores da Samarco serão indiciados criminalmente pela morte de 17 pessoas causada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central do Estado. A garantia foi dada pelo delegado regional de Ouro Preto, Rodrigo Bustamante, que comandou a operação de busca e apreensão de documentos na sede da mineradora em Belo Horizonte, no escritório da mina de Germano, em Mariana, e na usina de pelotização em Anchieta (ES). A diligência foi feita 90 dias depois do acidente, que atingiu a bacia do Rio Doce até o Espírito Santo.

Responsável pelo inquérito no qual diretores da Samarco constam como réus, Bustamante afirmou que o material apreendido na empresa será periciado e o resultado incorporado ao processo criminal a ser enviado ao Judiciário no máximo em 30 dias. "O crime de homicídio está configurado. Vamos analisar o conjunto de provas para determinar se o indiciamento do presidente (licenciado) e diretores da empresa será feito por dolo ou culpa", no caso das 17 mortes ocorridas no acidente do dia 5 de novembro em Mariana.

A operação envolveu 12 peritos do Instituto de Criminalística e de seis agentes da Unidade de Intervenção Tática (UIT) do Departamento de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil. A diligência começou às 8h da manhã e até o meio da tarde ainda havia peritos na sede da Samarco, situada no edifício das Américas (Rua Paraíba 1122), na Savassi. O delegado Bustamante explicou que a ação ocorreu "no momento correto de se fazer a busca", não tendo sido dificultada pela Justiça. Ele explicou que o backup dos documentos vão subsidiar a decisão de decretar as prisões de diretores e funcionários, porque vão oferecer elementos com robustez.