A alta cúpula da Vale sabia dos problemas e do possível risco de rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi dita por um gerente da mineradora, que prestou depoimento às autoridades e informou que a diretoria executiva da companhia "sabia que havia um decréscimo no nível de segurança da barragem".

A revelação foi publicada na manhã desta terça-feira (26) pela colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo. Essa é a primeira vez que um depoimento aponta diretamente para diretores executivos da empresa.

Conforme a coluna, "o gerente diz que discutiu o assunto com superiores e que eles estavam cientes dos problemas da barragem". O rompimento da estrutura, no último dia 25 de janeiro, deixou, até o momento, 179 mortos e 131 desaparecidos.

Por causa do desastre, oito funcionários da Vale foram presos, no dia 15 de fevereiro. Segundo a denúncia do Ministério Público, eles haviam identificado o risco de rompimento.

Procurada, a Vale informou por meio de uma nota que não existe nos depoimentos dos gerentes da companhia nenhuma referência a “decréscimo de segurança” na Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, nem declarações de que a Diretoria Executiva da empresa tivesse recebido informações sugerindo a existência de riscos iminentes na estrutura. "Conforme já esclarecido para as autoridades, a chamada 'zona de atenção' constante de relatórios técnicos não representa risco iminente de rompimento", completa a mineradora.

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