Em um mundo cada vez mais digitalizado, saber os conceitos básicos de um computador não será garantia de emprego. Para educadores e especialistas na área de tecnologia, o futuro reserva a necessidade de dominar as ferramentas digitais. E para solucionar essa equação, a inclusão do ensino de programação nas escolas – tendência em países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos – inicia os primeiros passos no Brasil.

A disciplina é capaz de ajudar estudantes a desenvolver habilidades em matemática, inglês e raciocínio lógico. “Programação é uma linguagem, como é o inglês. Você aprende a falar com o computador, mas ele demanda um caminho, no qual é ensinada a parte lógica. O aluno se torna mais ágil e crítico”, avalia Jussara Almeida, professora do curso de ciências da computação da UFMG.

Conforme Jussara, essa é tendência que veio para ficar. Ela argumenta, porém, que o objetivo central não pode ser formar programadores, mas dar possibilidades para que a criança desenvolva habilidades cognitivas.

Na capital

De olho neste potencial, a Fundação Torino, escola italiana com sede em Belo Horizonte, é desde a semana passada a primeira instituição do país a incluir a disciplina programação na grade curricular. As aulas serão integradas ao conteúdo programático para crianças e adolescentes entre 2 e 14 anos.

Segundo a professora da Fundação Ana Márcia Abreu diz que a ideia é usar as habilidades da programação para desenvolver o raciocínio lógico e tornar o aluno parte do conteúdo que aprende nas disciplinas tradicionais. “Como a programação envolve tomada de decisões, isso habilita o estudante a resolver problemas de matemática, de lógica, de ciências”.

Quem começa a ter contato com a disciplina aprova a iniciativa e quer logo aprender como funciona a programação. É o caso do estudante Vitor Varela, de 13 anos, que desde criança gosta de livros de aventura. Até os 10, não teve contato com computador, algo incomum para a geração dele.

Porém, ao ganhar o primeiro notebook, se interessou logo por jogos de ação e decidiu: queria criar um game que unisse a imaginação para histórias proporcionada pelo que lia e a interação que o digital permitia. “As ideias foram surgindo e anotei tudo porque queria desenvolvê-las no futuro, quando soubesse como fazer”, conta.

Dois anos mais nova que o colega, Licia Costa conta que sempre teve contato com o computador e está animada com as aulas. “A tecnologia vai ser muito útil. Se souber como funciona, vai me ajudar em qualquer área no futuro”.

“Entramos numa época marcada pelos negócios digitais. O curso de programação coloca a ferramenta na mão do aluno. No futuro, ele conseguirá trabalhar para qualquer empresa do mundo sem sair do quarto e desenvolver soluções que mudarão a vida das pessoas” (Matheus Farley, sócio da Buddys Escola de Tecnologia)

Método lúdico

Em Belo Horizonte, a Buddys Escola de Tecnologia é referência no assunto. Fundada em 2015, a instituição tem 170 alunos matriculados e também realiza eventos a pedido de colégios.

Segundo um dos sócios, o programador Matheus Farley, o desenvolvimento é rápido e a metodologia lúdica torna possível a qualquer criança começar na área. “Vemos meninos de 13, 14 anos conseguindo programar coisas que só se vê na universidade”.

Com Igor Patrick