Foi-se o tempo em que dominar o próprio idioma e “embromar” em uma ou outras duas línguas extras bastava. Saber se colocar com segurança e se comunicar com clareza com pessoas de diferentes nacionalidades deixou de se um diferencial e tornou-se necessidade. No concorrido mercado de trabalho ganha destaque quem se vira melhor em todas as situações e não somente em algumas delas.

O secretário e professor de português para estrangeiros Frederico Nunes Induzeiro, de 22 anos, não sabia muito bem disso quando se matriculou em um curso de japonês. Ainda assim, acertou em cheio na escolha. Agora, os planos de vida dele incluem mudar-se para Tóquio, onde pretende fazer mestrado e doutorado.

“Ainda são poucas as pessoas que falam japonês em BH. Não pretendo viver lá (Tóquio), mas acho que a experiência e o idioma podem facilitar muito por aqui. Muitas empresas aceitam bem o diploma japonês”, comenta.

Fred estuda e trabalha no Instituto de Cultura Oriental (ICO), no bairro São Lucas, região Leste de BH. A instituição ensina outros cerca de 60 alunos a se comunicar bem utilizando os três alfabetos do país do sol nascente. Segundo o diretor do ICO, Tatsuô Kanashiro, a maioria é de jovens sem descendência japonesa, interessados, geralmente, na cultura do país.

Ele ressalta que apesar de pouco difundido por aqui, o idioma ajuda a abrir portas, sobretudo no exterior. “O comércio japonês vem recebendo muitos estrangeiros, cerca de 2 milhões ao ano”, diz. Recentemente, o país oriental aprovou uma lei reavaliando os direitos dos trabalhadores estrangeiros e aumentando as chances de colocação de imigrantes em determinados segmentos da economia.

Laços afetivos

Uma das primeiras escolas do país a oferecer idiomas diversos, o Luziana Lanna também vem fazendo sucesso entre os que abandonaram a exclusividade do inglês e do espanhol. Muita gente, segundo a presidente da rede, vem se interessando pelo italiano, que lidera a lista de procura por cursos não tradicionais. Um dos motivos, segundo ela, é a possibilidade de estreitar os laços afetivos. 

“É muito difícil falar em raiz, em sentimento e relacionamento sem usar a língua da família”, explica, completando. “Uma pessoa que fala cinco idiomas, “vale mais” do que uma que fala perfeitamente bem apenas um”, diz Luziana Lanna.

Além de italiano, inglês e espanhol, a rede oferece português para estrangeiros, alemão, árabe, chinês, francês e japonês. Também há aulas de sotaque, que ensinam a entonação de cada nacionalidade.

O tempo de aprendizado é sempre muito variável, mas nem sempre é tão demorado como se imagina. Para se ter uma ideia, é possível se comunicar bem em italiano após dois meses de aula. Os preços também são compatíveis com os dos idiomas tradicionais. No ICO, quatro meses de aulas custam R$ 1.400, mesmo valor cobrado na Cultura Alemã, no bairro Serra, em BH, que também oferece aulas intensivas por cerca de R$ 1.200.

Na escola, a procura por estudantes universitários interessados em pós-graduações e especializações é grande. “Ultimamente, com o Ciência Sem Fronteiras (programa do governo federal), a procura aumentou bastante”, diz o professor Fábio Cioglia Pedreira Diniz, da Cultura Alemã.

Estudantes de alemão costumam ter dificuldades com a gramática. Já o francês tem ortografia bastante complexa. Mandarim e russo, por sua vez, apresentam desafios quanto à entonação das palavras e pronúncia correta, respectivamente