Os córregos do Feijão e Ferro-Carvão foram cobertos pela lama, que vazou da barragem do Complexo Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na última sexta-feira (25). A informação é do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba,  Winston Caetano de Souza. "Esta é a situação atual. A lama está muito densa e cobriu os córregos", esclareceu.

Winston Souza alerta também sobre a lama no rio Paraopeba e a possibilidade dela atingir a Represa de Três Marias e consequentemente o Rio São Francisco. Situação destacada pelo boletim de Monitoramento Especial do Rio Paraopeba, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Segundo o documento, a lama com rejeitos pode alcançar a Usina Hidrelétrica de Três Marias, entre os dias 15 e 20 de fevereiro.

Para tentar barrar esses rejeitos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou a interrupção da operação na Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, entre os municípios de Curvelo e Pompéu.  A ideia é que, com o reservatório mais vazio, a lama fique "presa" ali e não continue seguindo o curso do rio.

A nascente do Paraopeba está localizada no município de Cristiano Otoni, na RMBH, e a foz, na represa de Três Marias, no municío de Felixlândia, na região Central do Estado. A ideia do presidente do Comitê é ir com uma comitiva, na próxima quarta-feira (30), até a cabeceira dos córregos do Feijão e Ferro-Carvão para analisar a água. "A expectativa é que, com a chuva prevista para os próximos dias, os córregos surjam de novo", explica

Na tarde desta segunda (28), o Comitê protocolou um documento na Cidade Adminsitrativa, solicitando a inclusão do CBH do Rio Paraopeba no gabinete de crise. "Queremos desde o início participar das reuniões e das decisões referentes a Brumadinho", concluiu. 

* Com Agência Brasil

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