Minas Gerais tem os dois primeiros casos confirmados de microcefalia relacionados com o zika vírus. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), um deles foi em Curvelo, na região Central de Minas, onde nasceu um bebê com perímetro encefálico de 32 centímetros, tamanho compatível com o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde para registro da doença.

A segunda notificação foi em Ubá, na Zona da Mata. Lá, uma gestante foi infectada com o vírus e tudo indica que o feto também tenha a doença. Ambas as ocorrências foram registradas em dezembro de 2015.

Segundo o histórico dos doentes, investigado pela SES, não há registros de viagem dessas vítimas a outras partes do país onde há número significativo de casos. Assim, tudo indica que essas pessoas foram contaminadas em Minas.

Desde que começaram as investigações a respeito do problema, em outubro do ano passado, 55 casos de microcefalia foram registrados no Estado. Outros 16 bebês e uma grávida estão sob análise. Um desses casos está em Belo Horizonte, informou a SES.

Quanto ao zika, 46 pessoas apresentaram os sintomas da enfermidade: febre baixa, manchas vermelhas pelo corpo e conjuntivite. Desses, oito foram descartados laboratorialmente e 38 permanecem em investigação.

Circulação

As primeiras confirmações de microcefalia associadas ao zika vírus colocam o Estado em alerta, afirma Rodrigo Said, superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da pasta.

Para ele, é um atestado de que o zika já está circulando por aqui. “Temos 100% da população susceptível ao vírus, em um momento de crescimento dos registros de dengue”, enfatizou.

Ainda conforme Rodrigo, a recomendação continua sendo o controle do mosquito transmissor do vírus. “Não temos outra fonte de atuação que não seja o combate ao mosquito. Nosso inimigo comum continua sendo o Aedes aegypti”.

Os casos de microcefalia confirmados até o momento serão acompanhados pela SES e pelas respectivas secretarias municipais de Saúde.

PELO BRASIL

Segundo o último informe epidemiológico do Ministério da Saúde, apenas seis estados brasileiros ainda não tiveram nenhuma confirmação laboratorial do zika vírus: Acre, Amapá, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.

A quantidade exata de enfermos no país, no entanto, é desconhecida. A explicação do órgão é que a notificação não é compulsória. Além disso, cerca de 80% das ocorrências são assintomáticas. Portanto, muita gente sequer ficou sabendo que teve a doença.

Ainda assim, o ministério estima que de 500 mil a 1,5 milhão de pessoas tenham contraído o zika vírus, só em 2015.

3.530 CASOS DE MICROCEFALIA COM SUSPEITA DE INFECÇÃO PELO ZIKA VÍRUS ESTÃO EM INVESTIGAÇÃO