A cada hora, dois idosos são alvo da bandidagem em Belo Horizonte. De janeiro a abril deste ano, foram 5.204 vítimas. Furto, estelionato, ameaça, roubo e agressão são os principais delitos cometidos na capital contra quem tem mais de 60 anos. Os criminosos se aproveitam da idade, condição física e distração das vítimas.

Os números da Secretaria de Estado e Segurança Pública (Sesp-MG) referentes a 2019 são praticamente os mesmos do quadrimestre de 2018, quando houve 5.154 ocorrências. Na metrópole, os ataques são mais comuns na região hospitalar e no hipercentro, devido à movimentação intensa de pessoas.

As vítimas não são apenas moradores da cidade. Em março deste ano, a professora aposentada Maria Alair Cunha, de 77 anos, veio a BH visitar a família. Natural de Itamonte, no Sul de Minas, por pouco não voltou para casa sem o celular.

A mulher foi ao Centro com a irmã e, quando olhava roupas em uma loja na rua Rio de Janeiro, teve o celular furtado. “Levei um susto e até hoje não sei como tiraram o telefone da minha bolsa”, contou. A sorte de Maria Alair foi que, horas depois, a suspeita de ter cometido o crime foi detida e o aparelho, recuperado.

Além de desafiar as autoridades, a ação de ladrões, golpistas e agressores impõe uma mudança de comportamento a alguns idosos. Há três anos, a bióloga aposentada Edna João, de 74, foi vítima de uma tentativa de estelionato. O crime ocorreu dias após ela ter o celular tomado por um bandido.

Segundo Edna, uma mulher a abordou na porta de casa, no bairro Nova Suíça, Oeste de BH, e pediu que ela fosse a uma agência bancária do hipercentro sob a justificativa de ensiná-la a sacar dinheiro. Apesar de desconfiar da situação, ela seguiu para o terminal e, ao chegar, percebeu que se tratava de um golpe.

“Tinha um homem lá e eles queriam meu cartão. Mas consegui despistá-los e fui embora”. Depois disso, Edna passou a andar com uma sacola de pano, onde a bolsa é colocada. “Deixo a que tem documentos e dinheiro aqui e seguro firme, junto ao corpo”, contou.

Para o professor e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio Souza, idosos tendem a ser vítimas mais fáceis de criminosos. “Muitos ainda têm o hábito de ir ao banco e retirar todo o salário, fazem compras apenas com dinheiro. Não usam meios digitais”.

O especialista acredita que o elevado número de ocorrências está diretamente ligado à crise econômica do país. Ele sugere que os maiores de 60 anos adotem cuidados específicos, como evitar andar com grandes quantias e celulares à mostra. Robson defende um trabalho das forças de segurança voltado para o videomonitoramento em toda a cidade.

Patrulha

De acordo com a tenente Gisele Couto, que integra o Comando de Policiamento da Capital, essas pessoas são alvo do “delito de oportunidade”. “É uma ocasião em que o autor se aproveita para subtrair bens, a exemplo do crime de furto e estelionato. Aqui são valiosas as medidas de autoproteção, propagadas pela instituição em reuniões comunitárias e palestras preventivas realizadas em toda a cidade”, diz a militar.

Visando a prevenção, a oficial afirma que a PM trabalha com patrulhamento e acompanhamento “sistemático de análise criminal”. Outras medidas, garante a militar, são as redes de proteção monitoradas pela PM. “Atualmente possuímos em Belo Horizonte mais de 700 redes de proteção, com participação expressiva de idosos”, acrescentou.

DICAS DE SEGURANÇA

- Na rua, esteja atento com a bolsa, carteira e celular

- Ao sair, mantenha a bolsa sempre perto do corpo

- Ao usar o celular na rua, dirija-se a um estabelecimento

- Não aceite ajuda de estranhos, especialmente no banco

- Jamais forneça dados particulares pelo telefone

- Sempre desconfie de ofertas muito generosas

- Nunca guarde o cartão e a senha no mesmo lugar

- Denuncie maus-tratos à PM ou Disque 100