Dois municípios mineiros lideram ranking de desmatamento da Mata Atlântica

Hoje em Dia
11/11/2015 às 15:54.
Atualizado em 17/11/2021 às 02:26
 (Leonardo Morais/Hoje em Dia)

(Leonardo Morais/Hoje em Dia)

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), lançaram, nesta quarta-feira (11), o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, que reúne os dados sobre a situação de cidades do Estado de Minas Gerais nos últimos 15 anos.

Os dados mostram que no período entre 2000 e 2014, as cidades brasileiras que apresentam o maior índice de desmatamento da Mata Atlântica são o Jequitinhonha e Águas Vermelhas, ambas localizadas no Norte de Minas, com 8.708 e 6.543 hectares, respectivamente.

Mas, o estudo mostrou também que há municípios mineiros que se destacam na lista nacional de preservação do bioma. A cidade de Buenópolis aparece como a sexta colocada, com 88% de vegetação natural, Santana de Pirapama é a sétima, com 87% em relação a área original. Além das florestas nativas, refúgios, várzeas, campos de altitude, mangues, restingas e dunas estão incluídos no perfil da vegetação natural. Atualmente, a Mata Atlântica é a floresta mais ameaçada do Brasil, com apenas 12,5% da área original preservada.

Os dados mais recentes em relação à preservação e desmatamento da Mata Atlântica em 3.429 cidades no período 2013-2014, poderão ser acessados no site Aqui Tem Mata, que será lançado ainda nesta semana. Esse ranking é encabeçado pela cidade piauiense Eliseu Martins, que desmatou um total de  4.287 hectares no período. Por outro lado, outras duas cidades desse Estado, Tamboril do Piauí e Guaribas, lideram a lista das cidades mais conservadas, com 96% da vegetação natural.

De acordo com a Diretora Executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, o objetivo do site é mostrar de forma interativa e simples os índices, com a possibilidade de pesquisa por localidade, mapas interativos e gráficos.  “A partir de uma ferramenta de fácil visualização, qualquer pessoa poderá saber como seu município tem conservado o bioma mais ameaçado do Brasil. Ampliar o conhecimento sobre o assunto e torná-lo mais próximo do dia a dia é uma forma eficiente de incentivar a participação de todos na proteção do que resta de Mata Atlântica no país”, afirma.


O Atlas da Mata Atlântica, que monitora o bioma há 29 anos, usa imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8. A partir da tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento, o estudo avalia os remanescentes florestais acima de 3 hectares.  “Foram anos de trabalho para que pudéssemos consolidar uma base temática (mapa) que permite atualizações anuais consistentes. A possibilidade de o cidadão comum poder acompanhar a dinâmica da cobertura florestal do município onde reside é, sem dúvida, a materialização de uma intenção que tivemos no passado”, afirma Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.


Planos municipais da Mata Atlântica

O Plano é um dos instrumentos mais eficientes para que os municípios participem da proteção da floresta. O Plano Municipal da Mata Atlântica reúne e normatiza os elementos necessários à conservação, recuperação e uso sustentável do bioma. O diretor de Políticas  Públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, reforça que o plano traz benefícios para a gestão ambiental e o planejamento do município. “Os Planos Municipais da Mata Atlântica materializam as leis do bioma Mata Atlântica. Com novas competências de gestão ambiental, o PMMA é importante para desenvolver políticas de meio ambiente localizadas, pois é uma legislação que pactua com a própria comunidade local e a sociedade, diferentemente das demais leis do país”, afirma.

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