O Ministério Público (MPMG) denunciou para a Justiça a proprietária de um asilo  sob suspeita de agredir idosos e pessoas com sofrimento mental que eram internos do estabelecimento. A mulher, conforme o órgão estadual, vai responder por tortura, maus-tratos e desobediência a ordem judicial.

Além dela, dois internos com dependência química, que teriam ajudado nas agressões, também foram denunciados por tortura. No fim de agosto, o estabelecimento que fica em Taquaraçu de Minas, na região Central do Estado, já havia sido interditado. A suspeita segue em liberdade.

Até o momento, segundo o MPMG, foram identificados nove episódios de violência. Os maus-tratos ocorreram em maio e junho deste ano. Em um deles, uma idosa com sofrimento mental teria sido agredida com tapas e impedida de deitar na cama durante o dia. 

Em outro caso, dois idosos - um de 80 anos, com Alzheimer, e outro de 85, com Parkinson e Alzheimer - teriam ficado amarrados na cama durante à noite, sem suporte de cuidadores, até o dia seguinte, com fraldas sujas, sobre roupas de cama molhadas.

Há relatos, também, de um interno de 30 anos que foi golpeado nas costas com cabo de rodo enquanto ajudava um outro abrigado a tomar banho. E, um dos casos mais marcantes, é o de um idoso de 91 anos, com tumor na área do ouvido e ferimento na orelha. 

De acordo com a denúncia, a dona do abrigo não cuidou do machucado e deixou proliferar larvas de mosca no local. Quando limpou o ferimento, ela teria usado água sanitária, cortado parte da orelha do idoso com tesoura e aplicado produto para tratar bicheira em animais.

Além disso, a denúncia diz que a dona da instituição desobedeceu a ordem judicial de 2018, que proibiu um ex-administrador do abrigo de frequentar o local. Em depoimento, uma testemunha teria dito à polícia que o homem - companheiro da proprietária da instituição e denunciado, na época, por maus-tratos - continuava a ir ao local. Na ocasião, a Justiça também proibiu a instituição de acolher pessoas com menos de 60 anos, com sofrimento mental ou com dependência em drogas e álcool.

“A denunciada, em decorrência do desprezo pelas vidas das pessoas que estão acolhidas no local, continua mantendo menores de 60 anos, deficientes mentais e dependentes químicos em um mesmo local, em flagrante desobediência à decisão judicial e à legislação brasileira”, afirmam as promotoras de Justiça Anelisa Cardoso Ribeiro e Luciana Corrêa Crawford, autoras da denúncia.

Agora, a caso segue para apreciação do Tribunal de Justiça. 

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