No pior momento da pandemia de Covid-19, Minas Gerais vive um colapso no sistema de saúde. Em pelo menos duas macrorregiões do Estado, não há mais vagas para internação de pacientes com suspeita da doença. Nesta quarta-feira (17), 86,44% do total de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) já estão ocupados em todo o território.

Segundo dados divulgados pelo governo estadual, 2.192 pessoas estão internadas com Covid ou suspeita da doença em UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS). Na prática, ainda restam 344 vagas que estão espalhadas pelas 14 macrorregiões de Saúde.

leito UTI Covid

Outras seis macrorregiões estão com mais de 80% dos leitos ocupados

Em duas regiões, porém, a ocupação já chegou ao limite. Na macrorregião Leste do Sul, que abrange 53 cidades, entre elas Ponte Nova e Viçosa, por exemplo, a ocupação dos leitos Covid está em 109,38%, ou seja, faltam vagas. Na macrorregião Noroeste, onde está localizada Patos de Minas e outros 32 municípios, a situação é parecida: são 102,94% dos leitos destinados ao tratamento de Covid ocupados.

Outras duas estão com a ocupação próxima ao limite. É o caso da regional Centro, que inclui a capital e região metropolitana, e está com 94,5% de ocupação. Quando considerado apenas a principal cidade de Minas, 94,1% das 723 vagas – incluindo a rede suplementar e SUS – não estão mais disponíveis. 

Na regional Vale do Aço, a ocupação atinge 93,94% nesta quarta-feira e é reflexo de cidades como Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo.

Outras seis macrorregiões estão com mais de 80% dos leitos ocupados. Confira a situação da sua região pelo link.

Uberaba

Em Uberaba, no Triângulo, 100% dos leitos de UTI da rede pública estão com pacientes. A informação é do boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura do município na noite de terça-feira (16).

Na rede privada, a ocupação está em 88%. Em relação às vagas de enfermaria, elas não estão mais disponíveis em 80% dos casos em unidades de saúde SUS e 76% em hospitais da rede suplementar. Na cidade, 17.181 pessoas já contraíram o vírus. Destes, 420 foram a óbito.

Fila de espera

A falta de leitos em alguns municípios faz com que cerca de 200 mineiros estejam na fila de espera diariamente para atendimento e internação em leitos. A atual situação crítica no Estado impede até que pacientes de municípios afetados sejam transferidos para outras cidades por conta do colapso no sistema de saúde

Segundo informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES), em nota, “o processo que regula leitos no estado é dinâmico, considera critérios clínicos e a gravidade do caso de cada paciente para a identificação do leito mais adequado. Neste processo é importante considerar os estabelecimentos de origem e destino que desempenham papéis no fluxo regulatório para casos de urgência e emergência, emitindo dados, o que pode impactar no tempo de espera, como laudos incompletos, tempo na resposta à regulação, entre outros”, disse.

Ainda de acordo com a pasta, para a transferência de pacientes Covid-19, está sendo analisada a taxa de ocupação das macrorregiões de saúde e dos municípios, bem como o número de casos com solicitação de internações na região, associado à capacidade instalada para receber o paciente. “Após análise dos dados mencionados, e sendo evidenciado que o recebimento de pacientes de outras macrorregiões não irá impactar na assistência do território, a regulação estadual realiza os trâmites para confirmação de leitos disponíveis e transferência dos pacientes”, conclui.

O governo diz, ainda, que a ação “tem se tornado difícil devido ao esgotamento da capacidade assistencial de todas as regiões de saúde do estado, sendo essencial a adesão da população às medidas de restrição impostas pela Onda Roxa do plano Minas Consciente”.

Onda Roxa

Para tentar frear o avanço da contaminação do novo coronavírus, novas medidas restritivas entraram em vigor nesta quarta-feira (17) e devem durar ao menos 15 dias. Todos os 853 municípios mineiros estão na Onda Roxa do programa Minas Consciente. Isso significa que, na prática, o funcionamento do comércio ficará limitado aos serviços essenciais. Haverá restrição de circulação de pessoas, assim como o toque de recolher, entre 20h e 5h, todos os dias.

Nesta fase, a circulação de pessoas fica limitada aos funcionários e usuários desses estabelecimentos. O deslocamento para qualquer outra razão deverá ser justificado e a fiscalização será feita com o apoio da Polícia Militar.

As regras também incluem a proibição de circulação de pessoas sem o uso de máscara de proteção, em qualquer espaço público ou de uso coletivo, ainda que privado, ou com sintomas gripais, exceto para a realização ou acompanhamento de consultas ou realização de exames médico-hospitalares. Também fica proibida a realização de reuniões presenciais, inclusive de membros da mesma família que não moram na mesma casa, e de qualquer tipo de evento público ou privado que possa provocar aglomeração, ainda que respeitadas as regras de distanciamento social. 

Leia mais:
Operação de guerra começa nesta quarta-feira para barrar o avanço da Covid em Minas
Zema diz que Secretaria da Fazenda vai avaliar suporte a empresas de Minas afetadas pela Onda Roxa
Quem desrespeitar o toque de recolher em Minas pode ser preso? Coronel da PM explica