A dedicação à docência só voltará a atrair novos estudantes quando houver o resgate social da imagem do professor, que não mais deve ser visto apenas como uma pessoa sofrida. A afirmação é do consultor em educação Júlio Furtado, do Rio de Janeiro, que também defende mudanças das condições de trabalho e salários mais altos como melhorias importantes para despertar o interesse dos alunos pela atividade.

“A imagem do professor está completamente deturpada, contaminada por uma questão negativa muito forte. Precisamos que a profissão chegue a tal nível que os estudantes, de escolas públicas ou privadas, sonhem em seguir a carreira”, diz.

Embora otimista que seja possível reverter o quadro de desprestígio da atividade, Júlio enxerga caminhos para suprir uma eventual falta de educadores no futuro. Com o ensino a distância, por exemplo, um único professor é capaz de atender a demanda de vários alunos de uma só vez. “A tecnologia é uma ferramenta importante. Já existem projetos no interior que funcionam com aulas gravadas e apenas a presença de um tutor para tirar dúvidas”.

Outra alternativa é oferecer aos novos professores uma formação interdisciplinar, de modo que consigam dar aula de várias matérias. Aliás, o próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já tem apontado para esse caminho ao deixar de cobrar conteúdos de forma isolada, criando áreas do conhecimento – Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens e Códigos, Matemática e Redação. “É uma forma de aproveitar, ao máximo, os poucos vocacionados que escolherem a profissão”.