Professores da Educação Infantil de BH fazem paralisação contra fechamento de turmas

Daniele Franco e Cinthya Oliveira
16/04/2019 às 14:42.
Atualizado em 05/09/2021 às 18:15
 (Sind-Rede/Divulgação)

(Sind-Rede/Divulgação)

O fechamento de turmas nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) de Belo Horizonte levou professores da rede a paralisarem parte das atividades nesta terça-feira (16). Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede) se reuniram durante a manhã com a secretária municipal de Educação, Angela Dalben. Segundo o sindicato, a adesão chegou a 80%.

De acordo com Evangely Rodrigues, diretora do Sind-Rede, a secretária pediu um tempo para analisar as denúncias do sindicato e solicitou que fosse marcada uma reunião para a discussão dos termos, mas não agiu para definir uma data. 

A principal reivindicação dos servidores é a mudança na política da prefeitura de fechar turmas, de uma forma que ela considera arbitrária, por falta de alunos. "O que acontece não é a falta de alunos para preencher as turmas, mas é a oferta de um serviço que não é a demanda da população. Por isso, defendemos que o sistema seja baseado na livre demanda, com um estudo mais detalhado das necessidades da população do local", defendeu.

Além da suspensão do processo que vem fechando turmas na capital, o sindicato ainda reivindicou que as mudanças sejam sempre discutidas com as comunidades escolares em questão. "Sempre que há esse tipo de mudança, ela vem de cima para baixo, sem diálogo, ou no máximo ouve uma minoria que não representa a realidade que vivemos no ambiente escolar", pontuou Evangely.

Gicilene Costa, professora da rede e especialista em educação infantil, além da vivência como servidora, relata o impacto das medidas da Secretaria Municipal de Educação (Smed) na educação das duas filhas de 2 anos, matriculadas na Emei Vila Conceição. "Na semana passada fui surpreendida com um bilhete na agenda das minhas filhas falando que a turma delas seria fechada e elas seriam inseridas na turma das crianças de 3 para 4 anos", contou.

Tanto para Gicilene como no entendimento do sindicato, a aglutinação de crianças de idades diferentes pode trazer problemas no desenvolvimento adequado delas no contexto educacional. "Já havíamos avançado nesse sentido de oferecer uma escola adequada, mas agora, com esse tipo de medida, acabamos voltando ao patamar de escola com uma educação estilo creche, o que prejudica os alunos".

Outra reunião está marcada para 16h desta terça-feira, e vai discutir, por duas horas, as demandas juntadas em dois meses, segundo conta Evangely, que considera insuficiente o tempo ditado pela PBH. "Neste ano, a prefeitura determinou que as reuniões acontecessem somente de dois em dois meses e que as demandas do período sejam somente as registradas em ofício e discutidas em um intervalo de duas horas. Esse tempo não é suficiente para um setor com tantas demandas e demandas pontuais", defendeu.

Posicionamento

A secretária municipal de Educação, Angela Dalben, afirmou que os professores e membros do sindicato foram recebidos no auditório e as demandas foram registradas pela equipe. Ao Hoje em Dia, ela explicou que as transferências de professores são legais e realizadas para atender a demanda em diversos pontos da cidade.

A secretária explica que professores de escolas onde a lista de espera foi zerada são transferidos para outras onde ainda há uma demanda por atendimento. Essa política já é feita há muitos anos no universo da Educação Fundamental, de acordo com Angela.

“Estamos numa fase de consolidação da política de educação infantil baseada no cadastro escolar iniciado em 2017. Por ele, podemos ter um registro das demandas por vagas. Com base no cadastro, verificamos que algumas regiões precisavam de mais vagas e criamos 266 novas salas de aula no ano passado em escolas de ensino fundamental que atendem a educação infantil”, explica a secretária.

Sobre a reclamação de que crianças estariam sendo agrupadas em turmas com idades diferentes, a secretária explica que os agrupamentos não interferem no crescimento pedagógico dos alunos. Se a turma for reduzida demais, pode significar não somente um prejuízo econômico para a administração municipal, como também na pedagogia. “Poucos alunos numa sala com dois professores faz com que elas tenham mais contato com adultos do que com outras crianças”.

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