Apesar de ser considerado pela BHTrans ferramenta de transporte clandestino, o aplicativo Uber só ganhou espaço na cidade em função da baixa qualidade do serviço de táxi. Nos primeiros seis meses deste ano, foram protocoladas 596 reclamações de passageiros no órgão – média de 3,29 por dia. A maioria (352) foi por comportamento inadequado do taxista. Em segundo lugar, a recusa por viagem (146).

Segundo a BHTrans, de 2012 a 2015, foram instaurados 420 processos administrativos contra taxistas. Desses, 274 foram julgados. A quantidade de punições não foi informada. O universo de insatisfeitos, no entanto, pode ser maior, pois muitas pessoas preferem não oficializar as queixas.

É o caso de uma aposentada de 68 anos moradora do bairro Ouro Preto, na Pampulha, que pediu anonimato. Na última semana, ela solicitou uma corrida em uma cooperativa, da casa dela à escola dos netos. “Por ser um percurso curto, o motorista disse que não atenderia mais ao meu endereço”.


Tratamento
Presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), Ricardo Faedda garante que a entidade não tolera comportamento do tipo. “Somos favoráveis que o permissionário se aprimore, trate com cortesia e respeito. O serviço de táxi de BH é considerado o melhor da América Latina. O número de ocorrências, após apurado efetivamente, não reflete a realidade, e está aquém da quantidade de taxistas que temos”.


Fato é que até mesmo os condutores reconhecem a necessidade de elevar o nível de atendimento. “Muita coisa tem que melhorar, inclusive o tratamento ao passageiro e a limpeza do carro”, frisa um taxista de 22 anos, há um ano e meio na praça. A ineficiência do serviço de táxi na cidade é alvo de investigação do Ministério Público, que também apura a legalidade, ou não, do Uber.


Aprovação
Controvérsias à parte, o aplicativo caiu nas graças do belo-horizontino. Foram os diferenciais do serviço – carro de luxo, motorista bem vestido e mimos como água – que mais chamaram a atenção do usuário. O tratamento dispensado também é destacado.


Há quatro meses, o consultor de negócios Guilherme França, de 30 anos, trocou o táxi pelo Uber. Para ele, um dos diferenciais do serviço é o compromisso de atendimento à chamada. “Já peguei taxista que fez cara feia porque andei apenas oito quarteirões. O motorista do Uber já atende sabendo o trajeto que fará”.


“Acreditamos que o sucesso também tenha a ver com facilidade. As pessoas contratam o serviço a partir de um toque na tela do celular”, enfatiza o porta-voz do Uber no país, Fábio Sabba.