Em 2008, 26,75% dos estudantes que chegaram aos cursos de graduação da Universidade Federal de Minas Gerais se autodeclararam pretos ou pardos. Dez anos mais tarde, quase a metade de todos os alunos (49,3%) no primeiro período letivo de 2018 fizeram a mesma alegação. 

De acordo com a instituição, o número é resultado da aplicação de políticas de ações afirmativas na UFMG, prática iniciada em 2009. Além disso, a adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), em 2014, representou modificações na forma de ingresso na universidade. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (10) pela UFMG, estão no relatório sobre o perfil dos estudantes matriculados na última década, elaborado pelo Setor de Estatística da Pró-reitoria de Graduação (Prograd). 

Outros dados

A pesquisa também traz informações sobre renda familiar, grau de estudo dos pais dos alunos, presença das mulheres na UFMG, além de outros. Veja:

Alunos com renda familiar de um a dois salários mínimos
2004: eram 11,4% do total
2018: eram 18,2% do total

Escolaridade de mães e pais de alunos da UFMG
2008: 46,46% dos pais e 47,29% das mães haviam concluído a graduação
2018: 36,4% dos pais e 45,2% das mães haviam concluído a graduação

Cai número de mulheres
2013: 55,8% eram mulheres
2014: 50,8% eram mulheres
2018: 48,5% eram mulheres

Índice de mineiros na UFMG
2013: 93% eram mineiros
2018: 80% eram mineiros

“Com o Sisu, a UFMG tem conseguido atrair mais pessoas de outros estados. Contudo, na maior parte dos casos, esses candidatos de fora são de família de renda maior, porque a mobilidade é difícil para quem tem mais vulnerabilidade socioeconômica, o que reforça a importância de políticas de inclusão e permanência”, declarou o pró-reitor adjunto de Graduação, Bruno Teixeira.

Cai número de residentes em BH
2009: 68% residiam em BH
2018/1: 50,4% residiam em BH

Matriculados vindos do interior de Minas
2014: 14,3% eram do interior
2018/1: 22,2% eram do interior 

Língua estrangeira
2014: 16% afirmaram não ler em nenhuma língua estrangeira
2018/1: 25% afirmaram não ler em nenhuma língua estrangeira

UFMG no Sisu
2013 (último ano antes da adoção do Sisu): 60.273 candidatos inscreveram-se no vestibular da UFMG
2018: 155.386 inscrições

“A UFMG está mais inclusiva, em razão de um trabalho articulado e consistente que tem o objetivo de contribuir para a transformação social e para a diminuição das desigualdades. Dessa forma, a Universidade cumpre sua importante função pública e social, democratizando de forma sistemática o acesso ao ensino superior”, afirmou a reitora da instituição, Sandra Regina Goulart Almeida. 

No caso de censo de 2010, 53,5% das pessoas em Minas Gerais se declararam pretas ou pardas. No Brasil, o percentual foi de 50,7%.