Minas Gerais realizou em 2015, 8% a menos de transplantes de órgãos em relação ao ano de 2014. E um dos motivos é a dificuldade em encontrar famílias que autorizam a doação. Apenas 12 a cada um milhão de pessoas adotam a prática. E a pretensão do Estado é elevar essa taxa, pelo menos a 13 durante o ano.

“Ainda é frequente a recusa das famílias por desconhecimento do que é morte encefálica, medo de mutilação do corpo e impedimento por questões religiosas”, explica o médico Omar Lopes Cançado, diretor do MG Transplantes. E a pretensão do Estado é elevar essa taxa, pelo menos a 13 durante o ano. Minas Gerais possui cerca de 3 mil pessoas aguardando por um transplante.

No topo da lista dos procedimentos estão os transplantes de córneas feitos no ano passado, beneficiando 1.267 pessoas que estavam com problemas como ceratocone (doença que causa deformação da córnea), perfuração do globo ocular ou úlcera de córnea sem resposta ao tratamento clínico. Já número de pacientes que receberam um rim novo foi de 544. Em seguida estão os transplantes de medula óssea (109), fígado (86), escleras, um tecido ocular (85), coração (37) e pâncreas/rim (16). Em 2014, foram realizados 2.330 cirurgias de transplantes de órgãos, contra 2.144 em 2015.

Além de itensificar as campanhas de conscientização e de esclarecimento da população, outras medidas também serão tomadas por parte do MG Transplante para melhorar a logística de captação de órgãos em todo estado. Dentre essas ações, eles pretendem mapear os hospitais com maior potencial de doação e o treinamento dos seus profissionais para a abordagem das famílias, além de realizar a notificação de possíveis doadores.  

Como se tornar um doador

Para ser um doador basta comunicar sua vontade aos familiares, para que eles possam atender ao seu desejo e procedam a doação dos órgãos. Não é mais necessário deixar por escrito ou registrado em documento de identificação.

O MG Transplantes, responsável pela coordenação da política de transplante de órgãos e tecidos no estado, é vinculado à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). O estado conta com seis centrais do MG Transplantes: Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Governador Valadares, Pouso Alegre e Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Critérios para o transplante

Além da compatibilidade sanguínea do doador e do paciente, cada órgão exige critérios específicos para definição de quem será transplantado primeiro. Para o coração, por exemplo, são priorizados o tempo de inscrição e a proporção do tamanho entre doador e receptor.