Apenas 16 dias foram necessários para que a taxa dos leitos de UTI de Belo Horizonte, destinados a pacientes com Covid-19, voltasse ao nível vermelho, de alerta máximo. Segundo o boletim da prefeitura dessa sexta-feira, 70,1% das vagas nas redes pública e particular estão ocupadas. Esse é um dos principais indicadores analisados pela PBH para avançar ou recuar na flexibilização das atividades econômicas.

A última vez que a capital registrou tantas internações nas terapias intensivas foi há cerca de duas semanas, em 10 de fevereiro. Na época, o índice era de 71,5%. De lá para cá, mais de 12 mil belo-horizontinos testaram positivo para o coronavírus. Desde março de 2020, BH já confirmou 110 mil casos e 2.731 mortes. 

Mais números
A ocupação das enfermarias também cresceu, de 50,9% para 56,2%, se mantendo em nível amarelo. Em 10 de fevereiro, no entanto, o índice era de 47,2%.

Mesma situação ocorreu com a taxa de transmissão (Rt) da enfermidade, que atingiu 1,06. Isso significa que cada 100 contaminados pela doença podem transmitir, em média, para outros 106. Em comparação com o início do mês, o valor era de 0,93.

Situação crítica
No Brasil, a pandemia preocupa ainda mais. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Sistema Único de Saúde (SUS) vive o momento mais crítico desde a chegada da Covid-19, com ocupação de mais de 80% dos leitos de UTI em pelo menos 17 capitais.

Em algumas dessas cidades, o índice de utilização dos leitos de terapia intensiva para adultos ultrapassou os 90%. É o caso de Porto Velho (100%); Florianópolis (96,2%); Manaus (94,6%); Fortaleza (94,4%); Goiânia (94,4%); Teresina (93%) e Curitiba (90%).

Para Carlos Starling, médico infectologista do Comitê de Enfrentamento à Covid em BH, os números nesses locais são preocupantes. “Estamos com a pandemia acelerando no Brasil inteiro, com níveis extremamente elevados em algumas regiões, e com a perspectiva de aumentar a incidência nos próximos dias”, avaliou.