De janeiro a outubro deste ano, 15 mil mulheres já procuraram a polícia em Belo Horizonte para denunciar casos de violência. Para lutar contra essa realidade, um grupo de mulheres promoveu, neste domingo (8), a Caminhada pelo fim da violência contra a mulher.

A iniciativa, que reuniu cerca de 500 pessoas, integra os “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, uma campanha internacional de combate à violência contra as mulheres e meninas. A caminhada teve início às 10h na Praça da Liberdade e se encerrou na Praça Afonso Arinos.

Durante todo o percurso, mulheres discursaram sobre a importância da conscientização sobre o problema, sobre a importância de se abordar a igualdade no processo educacional e sobre quais são as possibilidades para quem é vítima de violência doméstica e precisa de ajuda.

Líder do núcleo regional do Grupo Mulheres do Brasil, responsável pela caminhada, Patricia Tiensoli acredita que a conscientização é fundamental para a mudança sociocultural entre homens e mulheres. Para ela, é fundamental mostrar que o combate à violência doméstica não é uma causa somente das mulheres, mas também dos homens. “Temos que educar a todas as pessoas e explicar que, com violência, não se chega a lugar nenhum”, afirmou. Veja o relato de Patricia:

Ao assumir liderança em uma empresa familiar de transporte de carga, teve de investir alto no processo educacional dos funcionários, que num primeiro momento não aceitaram receber ordens de uma mulher.

“Fiz um trabalho educacional forte entre os funcionários, que muitas vezes não percebiam que estavam sendo machistas e agressivos com as mulheres, inclusive dentro de casa, com suas companheiras. Hoje acabei virando conselheira deles, que vêm conversar comigo sobre assuntos particulares”, contou.

Conscientização

A maquiadora Joyce Oliveira, de 33 anos, foi uma das participantes da caminhada. Ela foi vítima de violência e conseguiu superar a situação após pedir ajuda a seus familiares e psicólogos. "É preciso conscientizar as mulheres de que existe vida longe desse sofrimento", afirmou.

Depois de superar a dor de quem esteve em um relacionamento abusivo de 20 anos, a publicitária Daniela Schanen hoje trabalha para que outras mulheres não passem pelo mesmo sofrimento. Ela criou o projeto Eu Disse Não, em que acolhe de diferentes formas as vítimas de violência física, verbal ou psicológica.

"Posso dizer que eu vivi todas as violências previstas na Lei Maria da Penha e consegui sair disso. Hoje ajudo outras mulheres a entenderem que existe uma luz no fim do túnel", afirma Daniela. "Quanto mais a gente fala, mais fácil fica de se libertar". 

Coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD), do Ministério Público, a promotora Patricia Habkouk explicou que o período dos 16 Dias de Ativismo é fundamental para que sociedade civil e profissionais do universo jurídico se engajem no tema. Confira: