O uso das patinetes elétricas tem sido colocado em xeque em várias cidades ao redor do mundo por causa da falta de segurança. Somente em Belo Horizonte, onde tornou-se febre desde que chegou no fim de janeiro, o meio de transporte já levou mais de 70 pessoas para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII. Todas estavam sem capacete. E a falta de disponibilidade e de praticidade do equipamento aparecem como as principais causas da falta de uso, segundo pesquisa realizada pela empresa de publicidade Scheeeins, desenvolvedora do KP7, um protetor de cabeça feito de papelão. 

Apesar de curioso e até duvidável, o equipamento de papelão teria a mesma eficácia de um capacete normal, segundo o fundador da Scheeeins, Victor Reis. Segundo ele, o capacete produzido a partir da fibra de celulose é capaz proteger contra quedas de até 1,60m de altura os usuários que usam transportes com velocidade média de 15km/h . "Todo capacete protege somente até essa altura. A partir disso, ele diminui o impacto e uma possível lesão", explicou. 

A tecnologia não está disponível para o usuário final. A empresa que criou o equipamento de segurança está negociando com a Grow, dona da Grin e Yellow - que compartilham patinetes e bicicletas elétricas em BH -, para que seja distribuído com preço acessível. Procurada, a  Grow disse que está em fase de estudo do equipamento.

A grande vantagem da invenção, segundo Reis, é que por ser flexível e dobrável, o capacete de papelão pode ser guardado dentro de bolsas, mochilas e pastas de trabalho. "Passamos oito meses pensando e desenvolvendo algo que fosse seguro, prático e que o usuário pudesse sempre ter em mãos", contou Reis, destacando que o material usado para confecção do capacete é a mesma usada em proteções de embalagens grandes. "A geladeira que todo mundo compra, vem com uma proteção de colmeia de papelão", explica.

capacetes.jpgEquipamento feito de fibra de celulose é dobrável e pode ser guardado dentro de bolsas e mochilas

Segurança

Ainda conforme Reis, o capacete de papelão teria recebido o selo de segurança do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo. Procurado pela reportagem do Hoje em Dia, o instituto confirmou que comparou o desempenho do capacete de papelão com um de ciclismo e concluiu que os dois apresentam desempenho similar.

Porém, o IPT destacou que o teste foi feito em pisos esportivos e não de rua. "É um método de avaliação de pisos esportivos que foi adaptado para a avaliação de capacete, para que a empresa tivesse um parâmetro da qualidade do produto, mas foi indicado que eles procurem uma OCP (Organismo de Certificação de Produto) que avalie capacetes para comprovar, através de ensaios específicos de capacete, a segurança do produto".

Já a BHTrans informou que, por ser de iniciativa privada, não iria comentar sobre a qualidade do capacete. Mas a empresa destacou que trabalha no processo de regulamentação do novo meio de transporte. A expectativa é que até junho seja aberta consulta pública sobre a regulamentação dos patinetes. 

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