Como medida de prevenção ao contágio por coronavírus, o Sindicato dos Condutores de Veículos que Utilizam Aplicativos do Estado de Minas Gerais (Sicovapp) recomendou, nesta terça-feira (17), que os motoristas filiados à categoria queparalisem as atividades, se possível. Aos demais, a recomendação é de que passem a recusar corridas compartilhadas em serviço. Essa última ação, porém, pode resultar em penalidades por parte das empresas. No Estado, há cerca de 80 mil profissionais em atuação nessa modalidade, 45 mil deles só em Belo Horizonte.

De acordo com Gyanny Macedo, presidente do Sicovapp, a sugestão é benéfica para assegurar a saúde de motoristas e passageiros. "Estamos seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Quanto mais pessoas no carro, pior é para quem está lá dentro", afirmou a motorista, que dirige em BH há quatro anos.

Além disso, o sindicato pede que os profissionais tenham máscaras de proteção em seus carros para oferecerem a passageiros em situação de risco. "Outro aliado é o álcool em gel para uso no carro. Para manter o automóvel internamente limpo", completou. O material precisa ser custeado pelo próprio motorista.

Penalidades

Em um contrassenso em relação ao momento preocupante de pandemia mundial, a sindicalista relembrou que motoristas de algumas plataformas podem ser penalizados ao recusarem-se a aceitar viagens. Entre elas, está o bloqueio do condutor no app durante uma ou duas horas, dependendo da quantidade de corridas negadas.

"A gente vê com maus olhos. O condutor deve aceitar a viagem com que ele se sentir confortável. Isso é uma briga nossa contra os apps", afirmou Gyanny.

Paralisação total?

O Sicovapp também recomendeu que os motoristas que puderem paralisem o trabalho de forma total durante um período. Essa sugestão, segundo o sindicato, é válida mais para os trabalhadores que utilizam os aplicativos como um complemento de renda.

"Cada um tem a sua responsabilidade com o que está acontecendo e deve decidir por si o que pode fazer ou não. Ao mesmo tempo, entendemos que é muito complicado para o motorista que vive do app conseguir parar de rodar. Mas uma parte deles, que usam como renda extra, a gente orienta, sim, que eles parem até as coisas voltarem ao normal", finalizou.

Outro lado

Atualmente, Uber e 99 são plataformas que oferecem as corridas compartilhadas em Belo Horizonte. A reportagem entrou em contato com as empresas e questionou as penalidades em caso de recusa a viagens compartilhadas neste período do coronavírus e também como elas estão se organizando para apoiar a prevenção à Covid-19. 

A Uber respondeu com a seguinte nota:

"Estamos sempre trabalhando para ajudar a manter todos os que usam a Uber em segurança. Temos uma equipe global dedicada, que conta com a consultoria de um especialista em saúde pública, trabalhando para responder em todas as cidades em que operamos em todo o mundo. Permanecemos em contato próximo com as autoridades locais de saúde pública e continuaremos a seguir as orientações para ajudar a impedir a propagação do CoronaVírus."