Técnicos de enfermargem do Hospital Júlia Kubitschek, que é referência em Belo Horizonte no tratamento de pacientes com a Covid-19, fizeram protesto nesta quinta-feira (2) exigindo melhores condições de trabalho. De acordo com os servidores, faltam mão-de-obra, insumos e respiradores para prestar assistência aos infectados pelo novo coronavírus.

Por isso, cerca de 40 técnicos de enfermagem manifestaram na porta da unidade de saúde. O ato durou aproximadamente uma hora para não prejudicar o atendimento aos pacientes.

Desde maio, a unidade de saúde atende exclusivamente vítimas da doença, com 45 leitos de enfermaria, 26 de CTI e 10 na maternidade. No entanto, conforme o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde), a atual situação do hospital sobrecarrega os profissionais que estão na linha de frente no combate à pandemia.

Diretora do sindicato, Neuza Freitas alega que a Fhemig abriu novos leitos para atender os pacientes, mas diz que as contratações dos técnicos de enfermagem são insuficientes. "Abrem vagas, mas não tem profissionais. Alguns que são contratados não têm experiência e têm que ser treinados pelos colegas. Estão sobrecarregando os servidores. Alguns não aguentam ficar e pedem para sair, e outros estão ficando doentes", alegou.

Além disso, segundo o sindicato, o número de equipamentos e os medicamentos são insufientes para tratar as vítimas. 

Outro lado

Responsável por gerenciar o hospital, a Fhemig garantiu que todos os leitos da UTI são equipados com respiradores, monitores e demais aparelhos essenciais à assistência aos pacientes com a Covid-19. "Assim como os leitos da enfermaria e da maternidade, que demandam, devido à baixa complexidade dos casos, menos aparelhos".

Em nota, a fundação reconheceu que o fornecimento de insumos e medicamentos está em falta no mercado, mas informou que tem conseguido suprir a necessidade do hospital com o remanejamento do estoque entre as 20 unidades da rede ou pela substituição de medicamentos similares.

"Como estamos em um cenário de pandemia, as ações são emergenciais e contingenciadas para garantir a melhor assistência a todos pacientes da Covid-19, que tem sido a prioridade do sistema de saúde pública. Porém, existem protocolos e discussões que norteiam essa assistência e há normas que são cumpridas", frisou.

Sobre o treinamentos dos profissionais, a Fhemig disse que disponibiliza, em um site, cursos que podem ser acessados pelos servidores em todo o Estado.

Contratações

Com relação a sobrecarga dos técnicos de enfermagem do Júlia Kubitschek, a Fhemig declarou que abre novas vagas sempre que é necessário abrir novos leitos. Um processo seletivo foi concluído no último dia 30 e está em fase de contratação dos aprovados. Para os próximos dias, outro chamamento emergencial está previsto para a unidade. 

"A ocupação dos leitos de pacientes com suspeita e confirmados para Covid-19 está alta, mas as equipes estão atendendo satisfatoriamente", destacou a fundação. No próximo mês, o Estado pretende abrir 40 novos leitos de UTI no hospital.