Exatos 1.912 condutores foram flagrados dirigindo sob efeito de álcool em Belo Horizonte no ano passado. Os dados são do Detran-MG e apontam um crescimento de 23% em relação a 2017. Os números, porém, podem aumentar, pois o balanço referente a dezembro de 2018 ainda não foi fechado.

Já no Estado as autuações caíram 2,5% em igual período. Mesmo assim, o desrespeito à lei continua e, em alguns casos, pode vir de quem menos se espera. Na capital, na noite da última segunda-feira, um motorista de ônibus da linha 4802 (Pindorama/Boa Vista) foi preso por conduzir o coletivo com sinais de embriaguez.

A denúncia foi feita pelos passageiros, que perceberam os sintomas do homem e ligaram para a PM. Segundo o boletim de ocorrência, o condutor tinha andar cambaleante, olhos vermelhos, hálito etílico e fala desconexa. Ao soprar o bafômetro, o aparelho apontou 1,67 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

“É uma concentração altíssima no organismo”, afirma o tenente Marco Antônio Said, chefe de Imprensa do Batalhão de Trânsito da corporação. “Em 26 anos nessa área, raríssimas vezes vi o aparelho marcar um nível tão alto. Uma pessoa assim tem a capacidade psicomotora totalmente comprometida”.

Na cadeia

O motorista do ônibus teve a fiança fixada em R$ 3 mil. Sem condições de pagar, foi encaminhado para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, Oeste de BH. Ele poderá ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada, responder por crime de trânsito, perder o direito de dirigir e ser demitido por justa causa.

De acordo com Paulo César da Silva, presidente interino do Sindicato dos Rodoviários de Belo Horizonte (STTR-BH), “o valor da fiança estipulado é alto para um trabalhador com salário desatualizado”, afirma. “Sabemos que o alcoolismo é uma doença, mas precisamos verificar se esse foi uma caso isolado ou não”, acrescenta.

Por nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) informou que todos os ônibus e condutores só são autorizados a circular após passarem por vistoria feita por fiscal na garagem. 

A entidade ainda explicou que, “nesse tipo de ocorrência, o profissional é suspenso e encaminhado para avaliação no departamento de recursos humanos da empresa”, podendo ser demitido.

Punição

Quem é pego dirigindo sob efeito de álcool é multado em R$ 2.934 e tem sete pontos na CNH, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses. No caso de acidentes em que haja homicídio culposo, a pessoa pode ficar presa de cinco a oito anos.

A rigidez da lei, porém, ainda não é suficiente para coibir a irresponsabilidade, frisa Agmar Bento, professor de segurança viária do Cefet-MG. “Apesar das blitze terem se intensificado, elas ainda não dão conta de fiscalizar toda a cidade, o que é normal. O número de pessoas que bebem e não são flagradas ainda é grande. Isso gera a falsa ideia de que elas nunca serão paradas”, diz o especialista.