Familiares e amigos das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, cobraram celeridade da Justiça no julgamento dos responsáveis pelo crime que matou 272 pessoas (11 continuam desaparecidas) e devastou uma área equivalente a 300 campos de futebol na cidade da Grande BH. Na terça-feira (21), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou 16 pessoas por homicídio doloso e crime ambiental, entre elas Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale.

Agostinho Patrus

Presidente do Parlamento, Agostinho Patrus, participa da cerimônia em homenagem às vítimas de Brumadinho, na entrada da Assembleia Legislativa

O pedido de justiça dos parentes, a dois dias do aniversário de um ano do tsunami de lama, ocorreu num evento na Assembleia Legislativa, na tarde desta quinta-feira (23), onde foi instalado um monumento em homenagem à memória dos 272 mortos.

O presidente da Casa, Agostinho Patrus (PV), sugeriu que em todo 25 de janeiro as bandeiras de Minas fiquem na altura de meio mastro, nos órgãos púbicos, numa clara demonstração de luto em homenagem às vítimas e familiares.

"O dia 25 de janeiro está e estará sempre em nossas memórias como uma das mais tristes e dolorosas páginas da historia de Minas. A Assembleia, juntamente com as famílias, buscará justiça pelas 272 mortes", disse o deputado.

A cerimônia levou muita gente às lágrimas, como Amanda Moreira. Ela perdeu o marido na tragédia: "Sou viúva de Cleidson Moreira, que trabalhou na Vale dos 23 aos 40 anos de idade. A gente não tem mais paz. Perdi muitos amigos".

Em homenagem à memória de cada uma das vítimas, a Assembleia sugeriu que as obras de infraestrutura que a Vale poderá fazer em beneficio do Estado, como indenização pelo rompimento da barragem, recebam os nomes dos mortos pelo tsunami de lama. 

O governo de Minas defende que este aporte por parte da mineradora chegue a R$ 7 bilhões.