A limpeza da Lagoa da Pampulha, anunciada como um dos principais legados da Copa do Mundo, será retomada a partir de fevereiro de 2016, ao custo de R$ 30 milhões ao erário municipal. A previsão inicial da prefeitura era concluir o Programa de Despoluição da Bacia da Lagoa da Pampulha em 2013.

A recuperação da qualidade da água será feita pelo consórcio Pampulha Viva, formado pela mineira CNT Ambiental e pelas gaúchas Millenniun Tecnologia Ambiental e Hydroscience, que utilizarão novas tecnologias para reequilibrar o ambiente aquático através da oxidação da matéria orgânica, do aumento dos níveis de oxigênio e da inativação do fósforo.

Segundo a Sudecap, até dezembro de 2016 serão obtidos os níveis de qualidade de água Classe 3, que permitirá a prática de esportes náuticos, mas sem contato direto com a água.

Até o fim de 2017, o consórcio terá de empreender ações que assegurem esses níveis de qualidade. A prefeitura adiantou que só pagará pelo serviço se o consórcio mostrar resultado.

ESGOTO PERSISTE

Dos 100 quilômetros de redes de esgoto previstos na bacia da Pampulha, faltam 6,4 km em Contagem, que ficarão prontos até maio de 2016, informa o gestor do programa de despoluição da Pampulha, Valter Vilela Cunha. A Copasa investiu R$ 102 milhões, obtidos junto à Caixa Econômica Federal.

“Até o momento, a Copasa tirou 490 litros por segundo de esgoto doméstico. A estimativa é de que restam 70 litros por segundo. A poluição será menor, mas vai ficar algum esgoto por causa das ligações factíveis (locais com rede interceptora, mas sem coleta de esgoto)”, disse Vilvela.

Ele acrescenta que, das 7 mil ligações previstas, a Copasa implantou 4 mil. Falta interligar a rede da Copasa a 3 mil residências em Contagem.

Copasa irá construir mais 30 quilômetros de rede coletora na bacia hidrográfica

Com previsão de conclusão em até um ano, começa em janeiro do próximo ano a construção, pela Copasa, de 30 quilômetros de rede coletora na bacia da Pampulha. “A Copasa vai fazer um pente-fino, o caça-esgoto, para identificar quem joga esgoto em redes pluviais (que colhem água da chuva)”, afirma Valter Vilela, da estatal.

Ao final das intervenções, a Copasa deve retirar 97% do esgoto produzidos em BH e 95% em Contagem. “Tem muito lixo nos córregos e poluição difusa”.

CARGA PESADA

O pesquisador Ricardo Motta Pinto Coelho, coordenador do Laboratório de Gestão de Reservatórios (LGAR) da UFMG está preocupado com a “carga pesada de esgoto industrial” que segue para a lagoa. Ele alerta que, na bacia hidrográfica, “estão centenas de empreendimentos de porte, que não são fiscalizados em seus lançamentos de efluentes”.

Coelho afirma que falta fiscalização, monitoramento e controle. “Vamos publicar um estudo em breve que mostra a entrada de poluição criminosa na lagoa. Fizemos medição com sonda, dia e noite, que detectou lançamento de efluentes industriais e nível alto de salinidade da água. Estatisticamente, não deixa dúvida”, explicou.

A fiscalização é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e das secretarias municipais de BH e Contagem. “A Copasa não tem poder de polícia”, destaca Vilela. “Não sei quantas indústrias fazem esse lançamento criminoso. A Copasa não tem esse levantamento”, admitiu.

A Sudecap informou que “efluentes industriais não podem ser lançados em sistemas de drenagem ou em cursos d’água. Eles devem ser captados e conduzidos até uma estação de tratamento”.

Orçada em R$ 240 milhões, a despoluição da lagoa envolve desassoreamento, complementação do sistema de esgoto e recuperação da qualidade da água.